Olimpíada Brasileira de Foguetes 2026: ciência na prática nas escolas
Alunos do COC no preparo de seu foguete
A Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG) 2026 chega como mais uma edição de uma das competições científicas mais envolventes do Brasil. Integrada à Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), a OBAFOG se destaca por ser uma atividade 100% prática, na qual os estudantes projetam, constroem e lançam seus próprios foguetes.
Diferente de olimpíadas tradicionais baseadas apenas em provas teóricas, a OBAFOG coloca os alunos como protagonistas do aprendizado, incentivando o uso de conceitos de física, matemática e engenharia de forma concreta e divertida.
Datas e funcionamento em 2026
Na edição de 2026, o calendário segue o padrão nacional:
Inscrições: até 1º de maio de 2026
Lançamentos dos foguetes: até 15 de maio de 2026
Participação: realizada presencialmente nas escolas
Os lançamentos acontecem dentro das próprias instituições de ensino, sob orientação de professores, garantindo segurança e acompanhamento pedagógico.
Como funciona a competição
A OBAFOG é considerada uma “olimpíada experimental”. Os estudantes formam equipes e desenvolvem foguetes utilizando materiais simples, como garrafas PET, papel, ar comprimido ou reações químicas — dependendo do nível escolar.
Os participantes são divididos por níveis, que vão desde os anos iniciais do ensino fundamental até o ensino médio. Cada nível possui regras específicas para construção e lançamento dos foguetes.
O principal objetivo é alcançar a maior distância horizontal possível, aplicando conceitos científicos de forma prática.
Objetivos e importância
Mais do que uma competição, a OBAFOG tem um papel educacional importante. Entre seus principais objetivos estão:
Estimular o interesse por ciência e tecnologia
Desenvolver habilidades como trabalho em equipe e resolução de problemas
Aproximar os estudantes da área aeroespacial
Promover o aprendizado prático e interdisciplinar
Além disso, a participação pode abrir portas para outras olimpíadas científicas e até seleções internacionais na área.
Alcance e impacto
A OBAFOG mobiliza centenas de milhares de estudantes todos os anos em todo o Brasil. Em edições recentes, mais de 300 mil participantes estiveram envolvidos, demonstrando o grande alcance da iniciativa.
Esse número reforça o papel da olimpíada como uma das maiores ações de incentivo à ciência na educação básica.
Por que participar?
Participar da OBAFOG é uma oportunidade única de aprender ciência “fazendo”. Ao construir e testar foguetes, os alunos vivenciam na prática conceitos que muitas vezes ficam apenas na teoria.
Além disso, a experiência torna o aprendizado mais dinâmico, desperta a curiosidade e pode até influenciar escolhas futuras de carreira nas áreas de ciência, tecnologia e engenharia.
Antes da internet como conhecemos hoje, com sites, redes
sociais e vídeos instantâneos, existia um mundo digital que funcionava de um
jeito bem diferente. Esse mundo era o das BBS, sigla para Bulletin Board
System, ou "Sistema de Quadro de Avisos". E sim… ele funcionava
usando a linha telefônica da sua casa.
Tudo começava com um telefonema
Nos anos 70 e 80, quem queria se conectar a uma BBS
precisava de três coisas:
Um
computador pessoal
Um
modem
Uma
linha telefônica comum
O modem era o aparelho que traduzia os dados do computador
em sons, aqueles chiados que muita gente ainda lembra. Esses sons viajavam pela
rede telefônica até outro computador, que geralmente ficava na casa de alguém
comum. Isso mesmo: a maioria das BBS não ficava em empresas, mas na casa de
entusiastas de informática. Uma das primeiras BBS da história foi criada em
1978 por Ward Christensen e Randy Suess, nos Estados Unidos.
Modem V.92 . Os V.90 foram disponibilizados para o consumidor em 1998
Modem USRobotics Courier disponivel para o consumidor em 1984
A Tecnologia e a Velocidade
Nada de servidores gigantes. As BBS rodavam em
microcomputadores da época, que eram máquinas baseadas em processadores
simples, com pouca memória (às vezes menos que um arquivo de texto atual) e
armazenando tudo em disquetes. No Brasil, era comum ver BBS rodando em clones
nacionais de micros estrangeiros, como os compatíveis com CP/M ou MSX.
E a conexão era muito lenta. Velocidades comuns eram de 300
bps (bits por segundo) a 1200 bps, e 1200 já era um luxo!. Para você ter uma
ideia, a internet de hoje provavelmente é milhões de vezes mais rápida.
Cronologia dos modems usados por consumidores
Ano (aprox.)
Padrão / Tecnologia
Velocidade máxima
Observações
1970
V.21
300 bps
Primeiro padrão amplamente usado em microcomputadores
1977
V.22
1200 bps
Muito usado no início dos BBS
1984
V.22bis
2400 bps
Popular nos PCs dos anos 80
1988
V.32
9600 bps
Grande salto de velocidade
1991
V.32bis
14.4 kbps
Muito comum em BBS e serviços online
1994
V.34
28.8 kbps
Internet discada começa a se popularizar
1996
V.34 (upgrade)
33.6 kbps
Último modem “puro” analógico
1997
x2
até 56 kbps
Tecnologia da U.S. Robotics
1997
K56flex
até 56 kbps
Desenvolvido por Rockwell Semiconductor Systems e Lucent Technologies
1998
V.90
56 kbps download / 33.6 upload
Padrão oficial da International Telecommunication Union
2000
V.92
56 kbps download / 48 upload
Embora o modem fosse chamado de 56k, na prática quase ninguém passava de 44–50 kbps, por limitações da rede telefônica analógica.
A Primeira Rede Social da História
Apesar da tecnologia limitada, o lado mais importante das
BBS era o social. Era praticamente um WhatsApp, um Fórum e um Google Drive,
tudo misturado em modo texto. As pessoas se conectavam para:
Trocar mensagens (funcionava como
um e-mail primitivo)
Participar de fóruns, conhecidos
como "message boards"
Baixar programas e jogos
Compartilhar textos e ideias
Com o tempo, surgiu a ideia de ligar várias BBS entre si. Assim
nasceu a FidoNet, uma rede mundial que permitia enviar mensagens entre cidades
e trocar arquivos entre países. E tudo isso usando telefone, com as BBS ligando
umas para as outras durante a madrugada para baratear o custo da ligação.
O Cenário Brasileiro
MANDIC BBS uma das maiores do Brasil
Nos anos 80 e início dos 90, o Brasil viveu sua própria era
de BBS. Como a telefonia era cara, as conexões eram normalmente locais, dentro
da mesma cidade e a conexão feita depois das 0:00hs, onde a chamada era mais
barata e o telefone estava livre. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, surgiram
dezenas de sistemas mantidos por estudantes, engenheiros, radioamadores e
apaixonados por informática.
As comunidades eram muito ativas, trocando softwares, lendo
jornais digitais, compartilhando jogos e fazendo debates políticos e culturais.
Tudo via texto. Nada de imagens ou vídeos, só ideias.
O Espírito das BBS Continua Vivo!
Com a chegada da internet comercial nos anos 90, as BBS
começaram a desaparecer. Mas deixaram um legado enorme: fóruns, redes sociais,
e-mail, download de arquivos e comunidades online praticamente nasceram ali.
Se você acha que as BBS morreram, pense de novo. Hoje, em
pleno século XXI, existe uma comunidade mundial de entusiastas que ainda se
conecta usando máquinas antigas, muitas vezes com o hardware original. Computadores
como TRS-80, MSX, Apple II e sistemas CP/M ainda conseguem acessar as BBS
modernas.
Como as linhas telefônicas desapareceram, a mágica moderna
funciona assim:
Entusiastas usam WiFi Modems ou
Ethernet Modems.
Esses dispositivos enganam o
computador antigo, fazendo ele acreditar que ainda está discando para outro
sistema.
Em vez de discar, eles conectam
via Telnet ou SSH, protocolos que funcionam como uma ligação digital pela
internet.
Na prática, o computador pensa que está em 1985, mas na
verdade está em 2026. E a interação continua igual, com fóruns, chats, troca de
arquivos e mensagens entre usuários. Mais do que nostalgia, é uma forma de
preservar a história e manter essas comunidades vivas.
Quer voltar no tempo? Veja algumas BBS Brasileiras ativas
hoje:
Você pode usar o seu computador atual para vivenciar essa
experiência. Aqui estão alguns sistemas que ainda funcionam:
Nome da BBS
Endereço
Porta
Observações
SoftSolutions
softsolutions.net.br
2023
Integra com Fidonet
Clube da Insônia
bbs.conf.eti.br
23
Estilo clássico
Baffa BBS
baffa.zapto.org
2323
Veterana
Terra Brasilis
tbrasilis.ddns.net
23000
Comunidade ativa
Micronet BBS
micronet.ddns.net
2323
Mensagens e troca
Cult of Shaky Shell
35.198.6.23
8888
Interface ANSI
Indo mais além, este site possui um catálogo extenso com referencias de muitas BBS modernas no mundo.
Um modem Nanico para conectar os CP500, C300, ou qualquer
outro computador antigo. Isso inclui Os meus CO500 e CP300 Nanicos.
Vasculhando na Net achei vários projetos de modem WIFI que permitem a utilização de computadores antigos as BBS, como se estivessem fazendo isso nos anos 70 e 80.
Estes modem possuem hardares modernos, utilizando modulos como o ESP8266. O que escolhi, foi o projeto que esta em https://github.com/mecparts/RetroWiFiModem , tem um hardware e software bem completos, incluindo LEDs de status e também a emulação do som que se houvia durante a discagem e negociação de conexão. A escolha por este me caiu bem, pois eu tinha todos os componentes nas minhas caixinhas de acumulador.
O resultado final
Comprei duas caixas plasticas da PATOLA que parecem ter sido feitas para o projeto, cada uma com seu estilo remetendo a modem retro.
Como as conexões sao poucas, neste meu protótipo, nem me preocupei em fazer uma montagem limpa e bonita, afinal é um daqueles protótipos definitivos.
Nesta montagem, não inclui o conversor TTL para RS232, pois somente será utilizada nos CP300 e CP500 nanicos, via USB.
Nas décadas de 1970 e 1980, a informática brasileira viveu
um período muito particular. Não foi apenas uma fase de desenvolvimento
tecnológico, foi também um momento de construção de identidade técnica e
linguística.
A Reserva de Mercado e a Política Nacional de Informática
Durante o regime militar, o Brasil implementou a chamada
“reserva de mercado” na área de informática. Essa política foi formalizada pela
Lei da Informática de 1984 e executada principalmente pela Secretaria Especial
de Informática (SEI).
O objetivo era claro:
Reduzir
a dependência tecnológica externa
Criar
uma indústria nacional forte
Desenvolver
conhecimento técnico próprio
Formar
engenheiros capacitados internamente
Empresas estrangeiras enfrentavam restrições para vender
certos equipamentos no Brasil. A ideia era estimular a produção e o
desenvolvimento locais.
Essa política só foi encerrada no início dos anos 1990,
durante o governo de Fernando Collor de Mello, quando o mercado foi aberto às
importações.
A Linguagem como Parte do Projeto Tecnológico
A política de informática não era apenas industrial, havia
também um componente cultural e linguístico.
A lógica era simples e ambiciosa:
Se dominamos a linguagem, dominamos a tecnologia.
Dentro desse espírito, muitos autores passaram a evitar
termos em inglês e criar equivalentes totalmente em português. Entre os nomes
mais conhecidos dessa linha estava o professor José Antonio Zuffo, da Universidade
de São Paulo (USP).
Seus livros foram importantes na formação de engenheiros,
mas ficaram famosos também pelo uso intenso de traduções técnicas próprias, que
muitos consideravam difíceis. No meio, alguns referiam-se a ele, carinhosamente, como professor Zovni.
O Problema das Traduções Literais
Alguns termos passaram a receber traduções extensas e pouco
práticas. O exemplo clássico é:
EPROM
(Erasable Programmable Read-Only Memory)
Em vez de manter a sigla internacional, surgiam equivalentes
como:
MARSL
“Memória Apagável e
Reprogramável Somente para Leitura”
variações
ainda mais longas e descritivas
BUFFER
buffer: “memória intermediária”
“amortecedor de dados”
O problema prático era evidente:
Datasheets
vinham em inglês.
A
literatura internacional usava as siglas originais.
O
aluno precisava “retraduzir mentalmente” para entender o padrão global.
Isso criava uma camada extra de dificuldade no aprendizado.
O Caso atual do “Reset”
A discussão sobre o termo reset ilustra bem esse
conflito.
Em inglês:
reset: pronuncia-se “ri-sét” (com som de S)
No Brasil, surgiram três caminhos:
Manter
o termo original: reset
Criar
verbo híbrido: resetar
Aportuguesar
a pronúncia: “rezét”
Pelo funcionamento natural do português, o “s” entre vogais
tende a ter som de “z” (como em casa, mesa, aviso). Assim, “re-set” acaba
virando espontaneamente “re-zét”.
Mesmo quem defende a manutenção do termo original muitas
vezes, sem perceber, pronuncia com som de Z.
Outros Exemplos de Aportuguesamento
Esse fenômeno não se limitou à informática. A história da
língua portuguesa está cheia de adaptações:
Football:
futebol
abat-jour:
abajur
shampoo:
xampu
Na informática e eletrônica:
driver:
“draiver” (fala)
firmware:
“firmuére”
scanner:
“escâner”
backup:
“becape”
login:
“lóguin”
delete:
“deletar”
boot:
“butar” (informalmente)
Alguns viraram verbos oficialmente aceitos no uso corrente:
formatar
escanear
deletar
printar
Pontos Positivos e Negativos da Reserva
A política nacional de informática teve efeitos mistos.
Pontos positivos:
Formação
de engenheiros altamente capacitados
Desenvolvimento
de empresas nacionais
Produção
local de hardware
Forte
base em eletrônica digital
Pontos negativos:
Equipamentos
mais caros
Atraso
tecnológico em relação ao exterior
Isolamento
da literatura técnica internacional
Dificuldade
posterior de integração ao mercado global
Em um período de evolução acelerada (microprocessadores como
8080, Z80, 6502), poucos anos de isolamento significavam grande defasagem.
Fidelidade Técnica vs. Evolução Linguística
Há duas posições legítimas:
1. Fidelidade técnica
Defende manter termos originais para preservar precisão e alinhamento
internacional.
2. Evolução linguística natural
Reconhece que a língua falada adapta sons e cria formas próprias
espontaneamente.
Na prática, as duas convivem:
Na
escrita técnica formal → usa-se o termo original.
Na
fala cotidiana → a língua adapta.
O debate é apenas uma pequena janela para um
fenômeno muito maior que marcou uma geração inteira de engenheiros brasileiros.
Professor Zuffo e a Prologica
Houve uma parceira entre a USP, através do professor Zuffo, e a prologica para o desenvolvimento de um computador UNIX, creio que baseado na arquitetura Motorola 68000. Este projeto, com o codinome "Super Micro", por algum motivo não foi para frente e o máximo que vi foi um protótipo do gabinete, no formato de pirâmide, ao estido de Luciano Deviá.
Em 1996, logo após os primeiros portais de internet começarem a se estabelecer no Brasil, fui indicado pelo amigo José Roberto para implantar uma plataforma de BBS (Bulletin Board System) na World Access Communications do Brasil (WAC), uma empresa que atuava no mercado de ligações telefônicas internacionais pelo sistema de Call Back.
Durante a entrevista com a diretoria, sugeri que abandonassem a ideia da BBS. A Internet, argumentei, logo tornaria essa tecnologia obsoleta. Em vez disso, propus apresentar um projeto completo para implantação de um provedor de acesso à internet. Disse que em uma semana entregaria um Business Plan para o serviço.
Naquela época, meu conhecimento sobre internet era limitado, o mesmo que os primeiros usuários brasileiros possuíam. As pesquisas eram lentas e restritas, feitas através de conexões discadas precárias. Mesmo assim, nas poucas horas da noite em que minha a linha telefônica estava livre, consegui encontrar um documento da Embratel que explicava como montar provedores de internet.
Depois de algumas noites em claro, preparei um plano detalhado, abordando os aspectos técnicos, práticos e financeiros do projeto. O resultado agradou, e fui contratado.
O desafio de fazer tudo sozinho
No início, eu era literalmente a única pessoa na operação. Ficava responsável por montar toda a estrutura do provedor, tratar com a Embratel e a Telefônica, treinar vendedores e ainda resolver os problemas técnicos dos clientes.
O início do provedor WAC
Um dos maiores desafios era monitorar a rede, nos finais de semana quando estava em minha casa, sem depender da linha discada para acessar os servidores. Foi então que tive uma ideia: conectar dois modems Modem US Robotics Courier v.Everything por meio de uma linha privada dedicada à voz entre meu apartamento e o CPD da empresa.
Modem US Robotics Courier v.Everything
Essas linhas privadas nada mais eram do que um par de fios conectando dois pontos, serviço que a Telefônica fornecia na época. Configurei os modems para manter uma conexão estável de 33.6 Kbps, uma velocidade impressionante para aquele tempo.
De repente, eu tinha uma conexão ininterrupta à internet, que me permitia acompanhar o status do provedor e ainda navegar “de graça” de casa.
A imagem abaixo ilustra bem como eram minhas manhãs de domingo: um olho no peixe e outro no gato, parte relaxando, parte monitorando o sistema.
Um olho no peixe e o outro no gato!
Um sistema interno que se tornou um serviço
O sistema ficou tão eficiente que começamos a vender a solução para alguns clientes corporativos. Na época, poucos sabiam o que era internet, mas muitos já queriam estar conectados, e nós estávamos prontos para ajudar.
O provedor evoluindo
O software utilizado
O WhatsUp Gold é um software de monitoramento de redes e infraestrutura de TI criado pela empresa Ipswitch, Inc. (fundada em 1991, nos EUA).
Ele surgiu justamente no início da expansão comercial da internet, quando empresas começavam a conectar servidores, roteadores e estações em redes locais (LANs) e precisavam saber quem estava online, o que estava funcionando e o que havia caído.
Durante os anos 90 e início dos 2000, o WhatsUp Gold se tornou uma das ferramentas mais populares entre administradores de rede Windows.
Ele era simples de instalar, leve, e rapidamente mostrava um “mapa vivo” da rede, atualizado automaticamente conforme novos dispositivos eram detectados.
Versões modernas
A tela de uma versão moderna do WuatsUP Gold
Hoje, o WhatsUp Gold continua ativo, agora sob a marca Progress Software, que comprou a Ipswitch em 2019.
Ele evoluiu para um sistema completo de monitoramento de infraestrutura, aplicações, nuvem e dispositivos IoT, oferecendo recursos avançados, como:
Painéis personalizáveis (dashboards web)
Interfaces modernas que permitem acompanhar o status da rede em tempo real.
Integração com Microsoft Azure e Amazon AWS
Monitoramento unificado de ambientes locais e em nuvem.
Monitoramento de tráfego de rede (Flow Monitor)
Acompanhamento detalhado do uso de banda e identificação de gargalos.
Alertas via e-mail, SMS e APIs
Notificações automáticas configuráveis para eventos críticos.
Relatórios históricos e gráficos de desempenho
Ferramentas para análise de tendências, capacidade e disponibilidade.
Apesar de todas as evoluções, o WhatsUp Gold manteve o mesmo nome e filosofia original:
mostrar de forma visual e imediata o que está funcionando e o que não está.
Em janeiro de 1984, a MicroSim revolucionou o mundo da engenharia eletrônica ao lançar o PSpice, a primeira versão do simulador de circuitos SPICE adaptada para computadores pessoais IBM. Até então, simular circuitos complexos exigia acesso a mainframes caros e pouco acessíveis. O PSpice trouxe essa tecnologia poderosa diretamente para o desktop, permitindo que engenheiros e estudantes testassem, ajustassem e visualizassem circuitos de forma prática e rápida.
Imagem de IA ilustrativa
Mais do que uma simples ferramenta, o PSpice democratizou a simulação eletrônica, abrindo portas para uma nova geração de projetistas capazes de experimentar ideias sem depender de grandes laboratórios. Com o tempo, a ferramenta evoluiu para outras plataformas e sistemas operacionais, incluindo o Microsoft Windows.
A trajetória do PSpice também reflete a consolidação da indústria de software de engenharia: em 1998, a MicroSim foi adquirida pela OrCAD, que, em 1999, passou a fazer parte da Cadence Design Systems, transformando o PSpice em um padrão global em simulação de circuitos eletrônicos.
Na Prologica
Quando trabalhava na engenharia da Prologica. Um dia, neste mesmo ano, apareceu um disquete do PSpice. Claro, não tinha interface gráfica e o resultado das simulações vinha em linhas de texto impressas, mostrando o comportamento das grandezas analisadas ao longo do tempo.
Nosso único exemplar não podia ser copiado. As cópias pareciam normais, mas simplesmente não rodavam. Percebi que a proteção era mecânica: em determinada posição do disco havia uma marca, um minúsculo furo, que danificava um ou mais setores. O software verificava este setor e, se conseguisse gravar nele, identificava como um disco não original.
Com paquímetro e transferidor, mapeei a posição exata dessa marca e, com um estilete, raspei o local em uma cópia que inicialmente não funcionava.
Pasmem: a cópia funcionou! 😲
A partir daí, não tínhamos mais medo de que um disquete original, danificado, “derrotasse” nosso trabalho.
O teclado capacitivo, que desenvolvi na Prologica, foi o primeiro projeto que usei com o PSpice como ferramenta de simulação. Graças a ele o teclado funcionou de primeira.
Nos últimos anos, um fenômeno curioso vem crescendo
silenciosamente: pessoas redescobrindo tecnologias antigas, não por necessidade, mas por paixão.
De um lado, temos os entusiastas da computação clássica, que revivem máquinas
lendárias como o Altair 8800, ZX Spectrum ou TRS-80 por meio de emuladores
modernos e réplicas físicas.
Do outro, os radioamadores, que antes dependiam exclusivamente das ondas de
rádio e hoje exploram redes digitais globais como a BrandMeister, usando DMR,
D-Star e outros modos modernos.
À primeira vista, parecem dois hobbies completamente
diferentes. Mas, olhando mais de perto, há um paralelo fascinante entre eles, e
até alguns momentos bem curiosos.
Nostalgia: a centelha que reacende a paixão
Tanto no mundo da computação retrô quanto no
radioamadorismo, tudo começa com um sentimento em comum: nostalgia.
Para quem viveu os primórdios da informática, ver um prompt piscando em um
terminal CP/M ou ouvir o chiado de um drive de fita cassete é quase como abrir
uma cápsula do tempo.
Já para os radioamadores, ligar um velho transceptor e ouvir o característico
“CQ CQ” no éter desperta lembranças de quando cada contato era uma conquista, e
não um simples clique num aplicativo.
Ferramentas modernas a serviço do passado
É curioso perceber como ambos os grupos usam tecnologias
modernas para manter viva a experiência clássica:
Na
computação retrô, em vez de caçar hardware antigo (caro e muitas vezes
quebrado), muitos optam por emuladores precisos, como SimH, MAME ou
implementações em Raspberry Pi. Há também os kits modernos, como o Altair
Duino, que oferecem a experiência original com mais confiabilidade.
No
radioamadorismo, modos digitais como DMR, D-Star, Fusion e redes como a BrandMeister
permitem que um simples HT portátil se conecte ao mundo inteiro via
internet, misturando RF local com backbone IP global.
E o melhor: hoje é possível, com equipamentos simples, de
baixa potência e custo acessível, conversar com pessoas em todos os
continentes.
Um pequeno rádio digital, um hotspot pessoal e uma conexão à internet já são
suficientes para estabelecer QSOs internacionais, algo que, décadas atrás,
exigiria antenas enormes, amplificadores caros e muita sorte com a propagação.
Ou seja, ninguém está preso ao passado, o passado é que está
ganhando superpoderes modernos e democráticos.
Rádio portátil e Hotspot conectado a rede digital, DMR, atrsvés da internet
Computadores da década de 80 em versões modernas emuladas. Ambos tem a metade do tamanho dos originais.
Comunidade e experimentação: a alma dos hobbies
Esses mundos têm algo essencial em comum: comunidades
apaixonadas.
Nos fóruns e grupos retrô, usuários trocam softwares antigos, recriam sistemas
operacionais perdidos e compartilham truques de restauração.
Nos grupos de radioamadores, há “nets” regulares, discussões sobre antenas,
propagação e agora, cada vez mais, sobre repetidores digitais e hotspots
pessoais.
E é aí que aparecem algumas cenas bem divertidas.
Quem já acompanhou QSOs em redes digitais como BrandMeister provavelmente já
presenciou situações em que o operador, no meio de uma conversa totalmente via
internet, pergunta:
“Como está chegando meu sinal aí?”
Uma pergunta que fazia todo sentido no mundo analógico, mas que hoje, numa rede
100% digital e roteada por servidores, soa quase irônica. O “sinal” não chega
forte ou fraco… ele chega perfeito ou não chega.
É como se alguém, em uma chamada de vídeo, perguntasse se a voz está “chegando
com boa propagação ionosférica”! 😄
Mapa da rede de radioamadorismo BandMeister
Caminho, simplificado, de uma conexão digital de radioamadorismo
Tradição e inovação, lado a lado
Talvez a parte mais bonita desse paralelo seja ver que tradição
e inovação não se excluem, elas se complementam.
Um computador de 1977 pode hoje rodar em um emulador dentro de um navegador, e
um rádio simples pode conversar com o outro lado do mundo usando DMR e
internet.
Essas combinações criam novas formas de viver hobbies antigos, sem perder o
charme original.
Presente
Passado
Cena do filme Alta frequência
O filme que o radioamador fala com o passado "Alta Frequência" (Frequency), de 2000. A trama acompanha um policial que, através de um aparelho de rádio do seu falecido pai, consegue se comunicar com o passado, com o próprio pai que viveu no passado. https://www.imdb.com/pt/title/tt0186151/
Construíndo computadores do passado com emuladores
No fundo, tanto os entusiastas da computação retrô quanto os
radioamadores modernos compartilham o mesmo espírito: explorar, preservar e
reinventar.
Seja digitando comandos em BASIC ou fazendo QSO por uma rede digital com um
radinho simples, o objetivo é o mesmo, manter viva a curiosidade tecnológica e
criar pontes entre o passado e o presente.
E, convenhamos: há algo de especial em ver tecnologia antiga
e moderna coexistindo, às vezes de forma até engraçada. É a prova de que,
quando a paixão é verdadeira, a inovação não apaga a história, ela a amplia.
Quem viveu os anos 80 sabe: computador era sinônimo de
futuro. Só de ouvir a palavra “microinformática” já batia um frio na barriga,
como se estivéssemos prestes a entrar em um mundo novo. E foi nesse clima de
descobertas que surgiu o Projeto Ciranda da Telesp.
A ideia era simples e, ao mesmo tempo, revolucionária: levar
computadores para as escolas e mostrar às crianças que aquelas máquinas
misteriosas poderiam ser grandes aliadas no aprendizado. De repente, salas que
antes só tinham giz, quadro e cadernos passaram a ter algo totalmente diferente
— uma fileira de máquinas barulhentas, com telas que piscavam em verde e preto,
esperando para serem exploradas.
E no centro dessa revolução estava ele: o CP-500 da
Prológica.
Um orgulho nacional. Um microcomputador fabricado no Brasil, compatível com o
TRS-80, mas com sotaque brasileiro. Quem estudou em uma dessas salas sabe o
impacto que era ligar o CP-500, esperar o barulho do drive de disquete ou do
gravador de fita, e ver na tela o prompt do BASIC piscando, como se dissesse: “Estou
pronto. O que você quer criar hoje?”
Para muitos, aquele foi o primeiro contato com programação.
Quantas vezes não digitamos linhas e mais linhas de 10 PRINT “OLA” / 20 GOTO
10, só para encher a tela de palavras repetidas? Parecia mágica. O
computador obedecia a gente. Era como conversar com uma inteligência diferente,
mas obediente e paciente.
O Projeto Ciranda foi mais do que aulas de
informática: foi a primeira chance de sonhar com um futuro digital. Muitos dos
profissionais de hoje, que trabalham com tecnologia, deram os primeiros passos
em uma dessas salas. O Ciranda mostrou que computadores não eram apenas para
empresas ou para poucos privilegiados — eram para todos, até para crianças de
escola pública.
O CP-500, com sua carcaça robusta e seu jeitão sério,
acabou virando símbolo de uma época em que o Brasil acreditava que podia criar
sua própria tecnologia. Ele estava lá, presente em escolas, cursos, clubes e
centros comunitários, ajudando a escrever a história de toda uma geração.
Hoje, olhar para trás dá uma pontinha de saudade. Daquele
tempo em que cada comando digitado era uma descoberta. Em que computadores eram
raros, mas cheios de possibilidades. E em que projetos como o Ciranda mostravam
que, sim, o futuro poderia ser inventado aqui mesmo, no Brasil, com um teclado,
uma tela verde e muita curiosidade.
No Projeto Ciranda, a experiência começava já na
chegada ao laboratório. O aluno sentava diante do CP-500, um computador
que parecia coisa de outro planeta. Para “entrar” no Ciranda, não havia
internet como hoje — a conexão era com o próprio sistema da Telesp, feito por
meio de terminais e linhas telefônicas dedicadas, que ligavam as escolas
e centros comunitários aos servidores centrais.
Era comum ouvir o barulho característico dos modems
discando ou ver os técnicos cuidando da linha para garantir que o sinal
estivesse estável. Muitas vezes, o acesso era feito por meio de um terminal
CP-500 rodando BASIC, que se conectava ao sistema da Telesp. Ali, os alunos
podiam explorar programas educativos, jogos de lógica, exercícios de português
e matemática, tudo rodando em rede.
Para quem usava, parecia pura mágica: digitar alguns
comandos, ouvir o chiado da conexão pela linha telefônica e, de repente, estar
“dentro” do Ciranda. Era como abrir uma porta invisível para um mundo de
conhecimento que não estava gravado no disquete da escola, mas sim em um
sistema remoto, compartilhado por várias unidades.
Essa forma de conexão foi um dos maiores diferenciais do
Ciranda. Não era apenas um curso de informática: era uma rede de aprendizado,
interligando escolas, professores e estudantes. Para muitos, foi o primeiro
contato com a ideia de “estar conectado”, algo que décadas depois se
tornaria rotina com a internet.
Em 1978 e 1979, trabalhei na NIKO do Brasil, em São Paulo. A empresa, de origem argentina, era responsável por importar para o Brasil os tocadiscos Gallileu, fabricados na Argentina. Esses tocadiscos eram parte integrante dos famosos aparelhos 3 em 1 National SS8000, muito populares na época.
Tocadiscos Gallileu ( Imagem da Internet )
National SS8000 ( Imagem da Internet )
National, marca pertencente à japonesa Matsushita Electric Industrial Co., tinha sua fábrica instalada em São José dos Campos – SP. Além da linha National, a unidade também produzia no Brasil os lendários equipamentos da marca Technics, objetos de desejo de muitos apaixonados por som
Lendario Technics SL-1200 MK2, lançado em 1979 ( imagem da Internet )
Amplificador intergrado Technics SU-7300, do final da década de 70 ( Imagem da Internet
Na NIKO, meu trabalho era consertar os tocadiscos Gallileu que chegavam com defeito na linha de montagem. Eventualmente, eu também viajava até a fábrica da National, em São José dos Campos, para corrigir problemas diretamente na produção da Matsushita. Eram dias puxados: havia semanas em que eu consertava mais de 500 aparelhos. A prática intensa acabou me fazendo decorar de memória o código de todas as peças mecânicas desses tocadiscos.
E, confesso, cada vez que entrava na linha de produção da Matsushita, eu ficava simplesmente encantado com os equipamentos Technics. Era impossível não admirar aquelas máquinas que, para mim, representavam o que havia de mais avançado e sofisticado no mundo do áudio.
Se você nasceu entre 1946 e 1964, parabéns: você faz
parte da geração Baby Boomer. No Brasil, esses anos foram de
crescimento, industrialização e… muita curiosidade pelo que o futuro traria.
Mas uma coisa era certa: quando nós, eramos jovens, computador era coisa de
ficção científica.
Quando os computadores chegaram
Nos anos 60 e 70, os computadores começaram a aparecer no
Brasil, mas não eram aqueles laptops bonitinhos que a gente mexe hoje. Estamos
falando de gigantes que ocupavam salas inteiras e precisavam de técnicos
para ligar. A maioria dos Boomers olhava aquilo e pensava: “Isso nunca vai
entrar no meu dia a dia.”
Anos 80: os microcomputadores chegam
Eu no laboratório da Revista Nova Eletrônica em 1979
Aí vieram os microcomputadores, Apple II, TRS-80,
IBM PC. Eles eram mais “amigáveis”, mas ainda caríssimos. Quem tinha um na
empresa ou na universidade era considerado quase um mago da tecnologia.
Para os Boomers, o computador não era brinquedo: era trabalho
sério. Planilhas, processadores de texto e sistemas internos eram desafios
enormes. Muitos precisaram aprender na marra, e algumas histórias dão até
vontade de rir:
Digitando
à mão cartas de clientes porque “o computador travou de novo”.
Gastando
horas para salvar um arquivo em floppy disk de 8 ou 5 ¼ polegadas.
Chamando
o técnico de informática toda vez que o computador fazia barulhos
estranhos, tipo “bip… bip… bip”… e você tinha certeza que ele ia explodir.
A ponte entre o analógico e o digital
Apesar de toda dificuldade, os Boomers foram a ponte
entre o mundo analógico e digital. Eles viram de tudo: da máquina de
escrever ao Windows, passando por planilhas gigantes que pareciam mais
quebra-cabeças.
Aprender a mexer em computadores foi, para muitos, uma
questão de sobrevivência profissional e de orgulho: quem dominava a máquina
na empresa, ganhava status instantâneo.
Minha filha cunhado e sobrinhos na principal atração da sala, nos anos 90
Resumo
Os Boomers brasileiros foram pioneiros da informática sem nem sonhar que isso ia dominar nossas vidas. Eles foram os primeiros a ensinar “como mexer nesse bicho” para colegas e filhos, criando a ponte entre o mundo de papel e o mundo informatizado.
Teclado de membrana da mesa de controle (tenho o protótipo até hoje)
Em meados da década de 1990, após a legalização dos bingos
por meio da chamada Lei Zico, fui contratado por um arquiteto
envolvido na montagem de casas de bingo para investigar por que um grupo de
engenheiros, responsáveis pelo projeto eletrônico e pelo software do sistema,
não conseguia fazer seu próprio projeto funcionar.
Aceitei o desafio e passei alguns dias infiltrado na equipe,
sem que soubessem do meu real objetivo ou das minhas habilidades. Após cerca de
15 dias, consegui identificar os problemas do projeto. Fui então oficialmente
contratado para resolver a situação, e todos os engenheiros anteriores foram
dispensados.
Na época, existia apenas um protótipo funcional, mas com
funcionamento instável. Como já havia clientes com instalações em reforma para
receber os equipamentos, não havia tempo para iniciar um novo projeto do zero.
A solução mais viável foi “remendar” o projeto existente para que funcionasse
minimamente bem.
Para quem não conhece, por trás de uma instalação comercial
de bingo havia uma mesa de controle da extração, equipada com computador,
monitores para câmeras, sistema de som, impressora, controlador de painéis e
da bingueira (o equipamento onde as bolinhas eram sorteadas).
Esses equipamentos eram operados manualmente, os painéis, a bingueira e
as câmeras, todos acionados por chaves físicas.
No computador, havia um banco de dados e um software de
controle. O banco de dados continha o layout de todas as cartelas já impressas
em papel e numeradas.
A comunicação entre a mesa e os painéis, bem como com
a bingueira, era feita através de placas com várias interfaces
paralelas conectadas a cabos telefônicos múltiplos do tipo KS, um cabo para
cada painel e para a bingueira. As distâncias chegavam a
ultrapassar 30 metros. Imagine só: sinais TTL viajando por todo esse caminho!
No final (ou melhor, no começo) dessa história, consegui
modificar o hardware e fazê-lo funcionar, mais ou menos.
A primeira instalação
A primeira instalação aconteceu em uma casa montada em um
antigo cinema desativado na cidade de Araraquara, interior de São Paulo. Após
muito trabalho para instalar tudo — incluindo cinco painéis com displays de
sete segmentos feitos com lâmpadas incandescentes (não existiam displays de LED
grandes para o projeto), instalados a cinco metros de altura, começamos os primeiros testes de extração.
Já na véspera da inauguração, percebi que a tabela do banco
de dados não coincidia com as cartelas já impressas pela gráfica. Como não
havia tempo hábil para uma nova impressão, a única alternativa foi alterar o
banco de dados. O problema é que o programador estava em São Paulo, e ainda não
existia internet por lá.
Tive que abrir três caixas de cartelas, anotar manualmente a
disposição dos números de cada uma delas em um arquivo de texto e passei a
madrugada inteira acordado fazendo esse trabalho.
Na manhã seguinte, improvisei a logística: coloquei o
arquivo em um disquete, paguei um motorista de ônibus para levá-lo até São
Paulo. O programador buscou o disquete na rodoviária, corrigiu o banco de
dados, gravou em outro disquete e me enviou de volta, também de ônibus.
Quando o disquete chegou a Araraquara, faltavam poucas horas
para a inauguração. Por muita sorte, tudo funcionou.
Depois disso, ainda instalei mais três casas com esse mesmo
hardware, até que comecei um novo projeto, com software feito em Visual Basic e
hardware mais enxuto, moderno, e de operação automatizada, utilizando
comunicação serial via RS-485.
Infelizmente, não tenho documentos nem fotos dessa empreitada,
apenas um exemplar do teclado de membrana que seria utilizado nesse novo
projeto. Abaixo um exemplo de casa de bingo da época e o exemplar, que tenho
ainda hoje, do teclado do novo projeto.