Reportagem da BBC News sobre a volta da preferencia de fones com fio em detrimento ao Bluethooth.
Eu, por motivo de qualidade de som, nunca adotei o Bluethooth para som.
Reportagem da BBC News sobre a volta da preferencia de fones com fio em detrimento ao Bluethooth.
Eu, por motivo de qualidade de som, nunca adotei o Bluethooth para som.
Diferente de olimpíadas tradicionais baseadas apenas em provas teóricas, a OBAFOG coloca os alunos como protagonistas do aprendizado, incentivando o uso de conceitos de física, matemática e engenharia de forma concreta e divertida.
Na edição de 2026, o calendário segue o padrão nacional:
Os lançamentos acontecem dentro das próprias instituições de ensino, sob orientação de professores, garantindo segurança e acompanhamento pedagógico.
A OBAFOG é considerada uma “olimpíada experimental”. Os estudantes formam equipes e desenvolvem foguetes utilizando materiais simples, como garrafas PET, papel, ar comprimido ou reações químicas — dependendo do nível escolar.
Os participantes são divididos por níveis, que vão desde os anos iniciais do ensino fundamental até o ensino médio. Cada nível possui regras específicas para construção e lançamento dos foguetes.
O principal objetivo é alcançar a maior distância horizontal possível, aplicando conceitos científicos de forma prática.
Mais do que uma competição, a OBAFOG tem um papel educacional importante. Entre seus principais objetivos estão:
Além disso, a participação pode abrir portas para outras olimpíadas científicas e até seleções internacionais na área.
A OBAFOG mobiliza centenas de milhares de estudantes todos os anos em todo o Brasil. Em edições recentes, mais de 300 mil participantes estiveram envolvidos, demonstrando o grande alcance da iniciativa.
Esse número reforça o papel da olimpíada como uma das maiores ações de incentivo à ciência na educação básica.
Participar da OBAFOG é uma oportunidade única de aprender ciência “fazendo”. Ao construir e testar foguetes, os alunos vivenciam na prática conceitos que muitas vezes ficam apenas na teoria.
Além disso, a experiência torna o aprendizado mais dinâmico, desperta a curiosidade e pode até influenciar escolhas futuras de carreira nas áreas de ciência, tecnologia e engenharia.
https://erl4ever.blogspot.com/2021/02/projetando-simuladores-de-voo.html
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Antes da internet como conhecemos hoje, com sites, redes
sociais e vídeos instantâneos, existia um mundo digital que funcionava de um
jeito bem diferente. Esse mundo era o das BBS, sigla para Bulletin Board
System, ou "Sistema de Quadro de Avisos". E sim… ele funcionava
usando a linha telefônica da sua casa.
Tudo começava com um telefonema
Nos anos 70 e 80, quem queria se conectar a uma BBS
precisava de três coisas:
O modem era o aparelho que traduzia os dados do computador
em sons, aqueles chiados que muita gente ainda lembra. Esses sons viajavam pela
rede telefônica até outro computador, que geralmente ficava na casa de alguém
comum. Isso mesmo: a maioria das BBS não ficava em empresas, mas na casa de
entusiastas de informática. Uma das primeiras BBS da história foi criada em
1978 por Ward Christensen e Randy Suess, nos Estados Unidos.
A Tecnologia e a Velocidade
Nada de servidores gigantes. As BBS rodavam em
microcomputadores da época, que eram máquinas baseadas em processadores
simples, com pouca memória (às vezes menos que um arquivo de texto atual) e
armazenando tudo em disquetes. No Brasil, era comum ver BBS rodando em clones
nacionais de micros estrangeiros, como os compatíveis com CP/M ou MSX.
E a conexão era muito lenta. Velocidades comuns eram de 300
bps (bits por segundo) a 1200 bps, e 1200 já era um luxo!. Para você ter uma
ideia, a internet de hoje provavelmente é milhões de vezes mais rápida.
Cronologia dos modems usados por consumidores
|
|---|
Embora o modem fosse chamado de 56k, na prática quase ninguém passava de 44–50 kbps, por limitações da rede telefônica analógica.
A Primeira Rede Social da História
Apesar da tecnologia limitada, o lado mais importante das
BBS era o social. Era praticamente um WhatsApp, um Fórum e um Google Drive,
tudo misturado em modo texto. As pessoas se conectavam para:
Trocar mensagens (funcionava como
um e-mail primitivo)
Participar de fóruns, conhecidos
como "message boards"
Baixar programas e jogos
Compartilhar textos e ideias
Com o tempo, surgiu a ideia de ligar várias BBS entre si. Assim
nasceu a FidoNet, uma rede mundial que permitia enviar mensagens entre cidades
e trocar arquivos entre países. E tudo isso usando telefone, com as BBS ligando
umas para as outras durante a madrugada para baratear o custo da ligação.
O Cenário Brasileiro
Nos anos 80 e início dos 90, o Brasil viveu sua própria era
de BBS. Como a telefonia era cara, as conexões eram normalmente locais, dentro
da mesma cidade e a conexão feita depois das 0:00hs, onde a chamada era mais
barata e o telefone estava livre. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, surgiram
dezenas de sistemas mantidos por estudantes, engenheiros, radioamadores e
apaixonados por informática.
As comunidades eram muito ativas, trocando softwares, lendo
jornais digitais, compartilhando jogos e fazendo debates políticos e culturais.
Tudo via texto. Nada de imagens ou vídeos, só ideias.
O Espírito das BBS Continua Vivo!
Com a chegada da internet comercial nos anos 90, as BBS
começaram a desaparecer. Mas deixaram um legado enorme: fóruns, redes sociais,
e-mail, download de arquivos e comunidades online praticamente nasceram ali.
Se você acha que as BBS morreram, pense de novo. Hoje, em
pleno século XXI, existe uma comunidade mundial de entusiastas que ainda se
conecta usando máquinas antigas, muitas vezes com o hardware original. Computadores
como TRS-80, MSX, Apple II e sistemas CP/M ainda conseguem acessar as BBS
modernas.
Como as linhas telefônicas desapareceram, a mágica moderna
funciona assim:
Entusiastas usam WiFi Modems ou
Ethernet Modems.
Esses dispositivos enganam o
computador antigo, fazendo ele acreditar que ainda está discando para outro
sistema.
Em vez de discar, eles conectam
via Telnet ou SSH, protocolos que funcionam como uma ligação digital pela
internet.
Na prática, o computador pensa que está em 1985, mas na
verdade está em 2026. E a interação continua igual, com fóruns, chats, troca de
arquivos e mensagens entre usuários. Mais do que nostalgia, é uma forma de
preservar a história e manter essas comunidades vivas.
Quer voltar no tempo? Veja algumas BBS Brasileiras ativas hoje:
Você pode usar o seu computador atual para vivenciar essa
experiência. Aqui estão alguns sistemas que ainda funcionam:
|
Nome da BBS |
Endereço |
Porta |
Observações |
|
SoftSolutions |
softsolutions.net.br |
2023 |
Integra com Fidonet |
|
Clube da Insônia |
bbs.conf.eti.br |
23 |
Estilo clássico |
|
Baffa BBS |
baffa.zapto.org |
2323 |
Veterana |
|
Terra Brasilis |
tbrasilis.ddns.net |
23000 |
Comunidade ativa |
|
Micronet BBS |
micronet.ddns.net |
2323 |
Mensagens e troca |
|
Cult of Shaky Shell |
35.198.6.23 |
8888 |
Interface ANSI |
Como conectar no Windows usando o Putty:
Tipo de conexão: Telnet
Host: bbs.conf.eti.br (exemplo)
Porta: 23
Modem WIFI Nanico
Um modem Nanico para conectar os CP500, C300, ou qualquer outro computador antigo. Isso inclui Os meus CO500 e CP300 Nanicos.
Estes modem possuem hardares modernos, utilizando modulos como o ESP8266. O que escolhi, foi o projeto que esta em https://github.com/mecparts/RetroWiFiModem , tem um hardware e software bem completos, incluindo LEDs de status e também a emulação do som que se houvia durante a discagem e negociação de conexão. A escolha por este me caiu bem, pois eu tinha todos os componentes nas minhas caixinhas de acumulador.
O resultado final
Comprei duas caixas plasticas da PATOLA que parecem ter sido feitas para o projeto, cada uma com seu estilo remetendo a modem retro.
Nas décadas de 1970 e 1980, a informática brasileira viveu
um período muito particular. Não foi apenas uma fase de desenvolvimento
tecnológico, foi também um momento de construção de identidade técnica e
linguística.
A Reserva de Mercado e a Política Nacional de Informática
Durante o regime militar, o Brasil implementou a chamada
“reserva de mercado” na área de informática. Essa política foi formalizada pela
Lei da Informática de 1984 e executada principalmente pela Secretaria Especial
de Informática (SEI).
O objetivo era claro:
Empresas estrangeiras enfrentavam restrições para vender
certos equipamentos no Brasil. A ideia era estimular a produção e o
desenvolvimento locais.
Essa política só foi encerrada no início dos anos 1990,
durante o governo de Fernando Collor de Mello, quando o mercado foi aberto às
importações.
A Linguagem como Parte do Projeto Tecnológico
A política de informática não era apenas industrial, havia
também um componente cultural e linguístico.
A lógica era simples e ambiciosa:
Se dominamos a linguagem, dominamos a tecnologia.
Dentro desse espírito, muitos autores passaram a evitar
termos em inglês e criar equivalentes totalmente em português. Entre os nomes
mais conhecidos dessa linha estava o professor José Antonio Zuffo, da Universidade
de São Paulo (USP).
Seus livros foram importantes na formação de engenheiros,
mas ficaram famosos também pelo uso intenso de traduções técnicas próprias, que
muitos consideravam difíceis. No meio, alguns referiam-se a ele, carinhosamente, como professor Zovni.
O Problema das Traduções Literais
Alguns termos passaram a receber traduções extensas e pouco
práticas. O exemplo clássico é:
EPROM
(Erasable Programmable Read-Only Memory)
Em vez de manter a sigla internacional, surgiam equivalentes
como:
O problema prático era evidente:
Isso criava uma camada extra de dificuldade no aprendizado.
O Caso atual do “Reset”
A discussão sobre o termo reset ilustra bem esse
conflito.
Em inglês:
No Brasil, surgiram três caminhos:
Pelo funcionamento natural do português, o “s” entre vogais
tende a ter som de “z” (como em casa, mesa, aviso). Assim, “re-set” acaba
virando espontaneamente “re-zét”.
Mesmo quem defende a manutenção do termo original muitas
vezes, sem perceber, pronuncia com som de Z.
Outros Exemplos de Aportuguesamento
Esse fenômeno não se limitou à informática. A história da
língua portuguesa está cheia de adaptações:
Na informática e eletrônica:
Alguns viraram verbos oficialmente aceitos no uso corrente:
Pontos Positivos e Negativos da Reserva
A política nacional de informática teve efeitos mistos.
Pontos positivos:
Pontos negativos:
Em um período de evolução acelerada (microprocessadores como
8080, Z80, 6502), poucos anos de isolamento significavam grande defasagem.
Fidelidade Técnica vs. Evolução Linguística
Há duas posições legítimas:
1. Fidelidade técnica
Defende manter termos originais para preservar precisão e alinhamento
internacional.
2. Evolução linguística natural
Reconhece que a língua falada adapta sons e cria formas próprias
espontaneamente.
Na prática, as duas convivem:
O debate é apenas uma pequena janela para um
fenômeno muito maior que marcou uma geração inteira de engenheiros brasileiros.
Houve uma parceira entre a USP, através do professor Zuffo, e a prologica para o desenvolvimento de um computador UNIX, creio que baseado na arquitetura Motorola 68000. Este projeto, com o codinome "Super Micro", por algum motivo não foi para frente e o máximo que vi foi um protótipo do gabinete, no formato de pirâmide, ao estido de Luciano Deviá.
Em 1996, logo após os primeiros portais de internet começarem a se estabelecer no Brasil, fui indicado pelo amigo José Roberto para implantar uma plataforma de BBS (Bulletin Board System) na World Access Communications do Brasil (WAC), uma empresa que atuava no mercado de ligações telefônicas internacionais pelo sistema de Call Back.
Durante a entrevista com a diretoria, sugeri que abandonassem a ideia da BBS. A Internet, argumentei, logo tornaria essa tecnologia obsoleta. Em vez disso, propus apresentar um projeto completo para implantação de um provedor de acesso à internet. Disse que em uma semana entregaria um Business Plan para o serviço.
Naquela época, meu conhecimento sobre internet era limitado, o mesmo que os primeiros usuários brasileiros possuíam. As pesquisas eram lentas e restritas, feitas através de conexões discadas precárias. Mesmo assim, nas poucas horas da noite em que minha a linha telefônica estava livre, consegui encontrar um documento da Embratel que explicava como montar provedores de internet.
Depois de algumas noites em claro, preparei um plano detalhado, abordando os aspectos técnicos, práticos e financeiros do projeto. O resultado agradou, e fui contratado.
O desafio de fazer tudo sozinho
No início, eu era literalmente a única pessoa na operação. Ficava responsável por montar toda a estrutura do provedor, tratar com a Embratel e a Telefônica, treinar vendedores e ainda resolver os problemas técnicos dos clientes.
Essas linhas privadas nada mais eram do que um par de fios conectando dois pontos, serviço que a Telefônica fornecia na época. Configurei os modems para manter uma conexão estável de 33.6 Kbps, uma velocidade impressionante para aquele tempo.
De repente, eu tinha uma conexão ininterrupta à internet, que me permitia acompanhar o status do provedor e ainda navegar “de graça” de casa.
A imagem abaixo ilustra bem como eram minhas manhãs de domingo: um olho no peixe e outro no gato, parte relaxando, parte monitorando o sistema.
Um sistema interno que se tornou um serviço
O sistema ficou tão eficiente que começamos a vender a solução para alguns clientes corporativos. Na época, poucos sabiam o que era internet, mas muitos já queriam estar conectados, e nós estávamos prontos para ajudar.
O software utilizado
O WhatsUp Gold é um software de monitoramento de redes e infraestrutura de TI criado pela empresa Ipswitch, Inc. (fundada em 1991, nos EUA).
Ele surgiu justamente no início da expansão comercial da internet, quando empresas começavam a conectar servidores, roteadores e estações em redes locais (LANs) e precisavam saber quem estava online, o que estava funcionando e o que havia caído.
Durante os anos 90 e início dos 2000, o WhatsUp Gold se tornou uma das ferramentas mais populares entre administradores de rede Windows.
Ele era simples de instalar, leve, e rapidamente mostrava um “mapa vivo” da rede, atualizado automaticamente conforme novos dispositivos eram detectados.
Versões modernas
Hoje, o WhatsUp Gold continua ativo, agora sob a marca Progress Software, que comprou a Ipswitch em 2019.
Ele evoluiu para um sistema completo de monitoramento de infraestrutura, aplicações, nuvem e dispositivos IoT, oferecendo recursos avançados, como:
- Painéis personalizáveis (dashboards web)
- Interfaces modernas que permitem acompanhar o status da rede em tempo real.
- Integração com Microsoft Azure e Amazon AWS
- Monitoramento unificado de ambientes locais e em nuvem.
- Monitoramento de tráfego de rede (Flow Monitor)
- Acompanhamento detalhado do uso de banda e identificação de gargalos.
- Alertas via e-mail, SMS e APIs
- Notificações automáticas configuráveis para eventos críticos.
- Relatórios históricos e gráficos de desempenho
- Ferramentas para análise de tendências, capacidade e disponibilidade.
Apesar de todas as evoluções, o WhatsUp Gold manteve o mesmo nome e filosofia original:
mostrar de forma visual e imediata o que está funcionando e o que não está.
Agui mais episódios desta e outras historias:
https://erl4ever.blogspot.com/2021/05/minha-historia-com-internet.html
Em janeiro de 1984, a MicroSim revolucionou o mundo da engenharia eletrônica ao lançar o PSpice, a primeira versão do simulador de circuitos SPICE adaptada para computadores pessoais IBM. Até então, simular circuitos complexos exigia acesso a mainframes caros e pouco acessíveis. O PSpice trouxe essa tecnologia poderosa diretamente para o desktop, permitindo que engenheiros e estudantes testassem, ajustassem e visualizassem circuitos de forma prática e rápida.
A trajetória do PSpice também reflete a consolidação da indústria de software de engenharia: em 1998, a MicroSim foi adquirida pela OrCAD, que, em 1999, passou a fazer parte da Cadence Design Systems, transformando o PSpice em um padrão global em simulação de circuitos eletrônicos.
Na Prologica
Quando trabalhava na engenharia da Prologica. Um dia, neste mesmo ano, apareceu um disquete do PSpice. Claro, não tinha interface gráfica e o resultado das simulações vinha em linhas de texto impressas, mostrando o comportamento das grandezas analisadas ao longo do tempo.
Nosso único exemplar não podia ser copiado. As cópias pareciam normais, mas simplesmente não rodavam. Percebi que a proteção era mecânica: em determinada posição do disco havia uma marca, um minúsculo furo, que danificava um ou mais setores. O software verificava este setor e, se conseguisse gravar nele, identificava como um disco não original.
Com paquímetro e transferidor, mapeei a posição exata dessa marca e, com um estilete, raspei o local em uma cópia que inicialmente não funcionava.
Pasmem: a cópia funcionou! 😲
A partir daí, não tínhamos mais medo de que um disquete original, danificado, “derrotasse” nosso trabalho.
O teclado capacitivo, que desenvolvi na Prologica, foi o primeiro projeto que usei com o PSpice como ferramenta de simulação. Graças a ele o teclado funcionou de primeira.
Nos últimos anos, um fenômeno curioso vem crescendo
silenciosamente: pessoas redescobrindo tecnologias antigas, não por necessidade, mas por paixão.
De um lado, temos os entusiastas da computação clássica, que revivem máquinas
lendárias como o Altair 8800, ZX Spectrum ou TRS-80 por meio de emuladores
modernos e réplicas físicas.
Do outro, os radioamadores, que antes dependiam exclusivamente das ondas de
rádio e hoje exploram redes digitais globais como a BrandMeister, usando DMR,
D-Star e outros modos modernos.
À primeira vista, parecem dois hobbies completamente
diferentes. Mas, olhando mais de perto, há um paralelo fascinante entre eles, e
até alguns momentos bem curiosos.
Nostalgia: a centelha que reacende a paixão
Tanto no mundo da computação retrô quanto no
radioamadorismo, tudo começa com um sentimento em comum: nostalgia.
Para quem viveu os primórdios da informática, ver um prompt piscando em um
terminal CP/M ou ouvir o chiado de um drive de fita cassete é quase como abrir
uma cápsula do tempo.
Já para os radioamadores, ligar um velho transceptor e ouvir o característico
“CQ CQ” no éter desperta lembranças de quando cada contato era uma conquista, e
não um simples clique num aplicativo.
Ferramentas modernas a serviço do passado
É curioso perceber como ambos os grupos usam tecnologias
modernas para manter viva a experiência clássica:
E o melhor: hoje é possível, com equipamentos simples, de
baixa potência e custo acessível, conversar com pessoas em todos os
continentes.
Um pequeno rádio digital, um hotspot pessoal e uma conexão à internet já são
suficientes para estabelecer QSOs internacionais, algo que, décadas atrás,
exigiria antenas enormes, amplificadores caros e muita sorte com a propagação.
Ou seja, ninguém está preso ao passado, o passado é que está
ganhando superpoderes modernos e democráticos.
Esses mundos têm algo essencial em comum: comunidades
apaixonadas.
Nos fóruns e grupos retrô, usuários trocam softwares antigos, recriam sistemas
operacionais perdidos e compartilham truques de restauração.
Nos grupos de radioamadores, há “nets” regulares, discussões sobre antenas,
propagação e agora, cada vez mais, sobre repetidores digitais e hotspots
pessoais.
E é aí que aparecem algumas cenas bem divertidas.
Quem já acompanhou QSOs em redes digitais como BrandMeister provavelmente já
presenciou situações em que o operador, no meio de uma conversa totalmente via
internet, pergunta:
“Como está chegando meu sinal aí?”
Uma pergunta que fazia todo sentido no mundo analógico, mas que hoje, numa rede
100% digital e roteada por servidores, soa quase irônica. O “sinal” não chega
forte ou fraco… ele chega perfeito ou não chega.
É como se alguém, em uma chamada de vídeo, perguntasse se a voz está “chegando
com boa propagação ionosférica”! 😄
Tradição e inovação, lado a lado
Talvez a parte mais bonita desse paralelo seja ver que tradição
e inovação não se excluem, elas se complementam.
Um computador de 1977 pode hoje rodar em um emulador dentro de um navegador, e
um rádio simples pode conversar com o outro lado do mundo usando DMR e
internet.
Essas combinações criam novas formas de viver hobbies antigos, sem perder o
charme original.
Construíndo computadores do passado com emuladores
Altair 8800: https://erl4ever.blogspot.com/2025/04/computador-altari-8800-na-versao-nanico.html
PROLOGICA CP200: https://erl4ever.blogspot.com/2023/01/prologica-cp200-nanico.html
PROLOGICA CP500: https://erl4ever.blogspot.com/2017/01/meu-cp500-prologica-na-versao-nanico.html
Radioamadorismo, minha trajetória
https://erl4ever.blogspot.com/2023/10/radioamador.html
Conclusão
No fundo, tanto os entusiastas da computação retrô quanto os
radioamadores modernos compartilham o mesmo espírito: explorar, preservar e
reinventar.
Seja digitando comandos em BASIC ou fazendo QSO por uma rede digital com um
radinho simples, o objetivo é o mesmo, manter viva a curiosidade tecnológica e
criar pontes entre o passado e o presente.
E, convenhamos: há algo de especial em ver tecnologia antiga
e moderna coexistindo, às vezes de forma até engraçada. É a prova de que,
quando a paixão é verdadeira, a inovação não apaga a história, ela a amplia.
assadvassado.o.
Quem viveu os anos 80 sabe: computador era sinônimo de
futuro. Só de ouvir a palavra “microinformática” já batia um frio na barriga,
como se estivéssemos prestes a entrar em um mundo novo. E foi nesse clima de
descobertas que surgiu o Projeto Ciranda da Telesp.
A ideia era simples e, ao mesmo tempo, revolucionária: levar
computadores para as escolas e mostrar às crianças que aquelas máquinas
misteriosas poderiam ser grandes aliadas no aprendizado. De repente, salas que
antes só tinham giz, quadro e cadernos passaram a ter algo totalmente diferente
— uma fileira de máquinas barulhentas, com telas que piscavam em verde e preto,
esperando para serem exploradas.
E no centro dessa revolução estava ele: o CP-500 da
Prológica.
Um orgulho nacional. Um microcomputador fabricado no Brasil, compatível com o
TRS-80, mas com sotaque brasileiro. Quem estudou em uma dessas salas sabe o
impacto que era ligar o CP-500, esperar o barulho do drive de disquete ou do
gravador de fita, e ver na tela o prompt do BASIC piscando, como se dissesse: “Estou
pronto. O que você quer criar hoje?”
Para muitos, aquele foi o primeiro contato com programação.
Quantas vezes não digitamos linhas e mais linhas de 10 PRINT “OLA” / 20 GOTO
10, só para encher a tela de palavras repetidas? Parecia mágica. O
computador obedecia a gente. Era como conversar com uma inteligência diferente,
mas obediente e paciente.
O Projeto Ciranda foi mais do que aulas de
informática: foi a primeira chance de sonhar com um futuro digital. Muitos dos
profissionais de hoje, que trabalham com tecnologia, deram os primeiros passos
em uma dessas salas. O Ciranda mostrou que computadores não eram apenas para
empresas ou para poucos privilegiados — eram para todos, até para crianças de
escola pública.
O CP-500, com sua carcaça robusta e seu jeitão sério,
acabou virando símbolo de uma época em que o Brasil acreditava que podia criar
sua própria tecnologia. Ele estava lá, presente em escolas, cursos, clubes e
centros comunitários, ajudando a escrever a história de toda uma geração.
Hoje, olhar para trás dá uma pontinha de saudade. Daquele
tempo em que cada comando digitado era uma descoberta. Em que computadores eram
raros, mas cheios de possibilidades. E em que projetos como o Ciranda mostravam
que, sim, o futuro poderia ser inventado aqui mesmo, no Brasil, com um teclado,
uma tela verde e muita curiosidade.
Era comum ouvir o barulho característico dos modems
discando ou ver os técnicos cuidando da linha para garantir que o sinal
estivesse estável. Muitas vezes, o acesso era feito por meio de um terminal
CP-500 rodando BASIC, que se conectava ao sistema da Telesp. Ali, os alunos
podiam explorar programas educativos, jogos de lógica, exercícios de português
e matemática, tudo rodando em rede.
Para quem usava, parecia pura mágica: digitar alguns
comandos, ouvir o chiado da conexão pela linha telefônica e, de repente, estar
“dentro” do Ciranda. Era como abrir uma porta invisível para um mundo de
conhecimento que não estava gravado no disquete da escola, mas sim em um
sistema remoto, compartilhado por várias unidades.
Essa forma de conexão foi um dos maiores diferenciais do
Ciranda. Não era apenas um curso de informática: era uma rede de aprendizado,
interligando escolas, professores e estudantes. Para muitos, foi o primeiro
contato com a ideia de “estar conectado”, algo que décadas depois se
tornaria rotina com a internet.
Em 1978 e 1979, trabalhei na NIKO do Brasil, em São Paulo. A empresa, de origem argentina, era responsável por importar para o Brasil os tocadiscos Gallileu, fabricados na Argentina. Esses tocadiscos eram parte integrante dos famosos aparelhos 3 em 1 National SS8000, muito populares na época.
National, marca pertencente à japonesa Matsushita Electric Industrial Co., tinha sua fábrica instalada em São José dos Campos – SP. Além da linha National, a unidade também produzia no Brasil os lendários equipamentos da marca Technics, objetos de desejo de muitos apaixonados por som
Lendario Technics SL-1200 MK2, lançado em 1979 ( imagem da Internet )
Na NIKO, meu trabalho era consertar os tocadiscos Gallileu que chegavam com defeito na linha de montagem. Eventualmente, eu também viajava até a fábrica da National, em São José dos Campos, para corrigir problemas diretamente na produção da Matsushita. Eram dias puxados: havia semanas em que eu consertava mais de 500 aparelhos. A prática intensa acabou me fazendo decorar de memória o código de todas as peças mecânicas desses tocadiscos.
E, confesso, cada vez que entrava na linha de produção da Matsushita, eu ficava simplesmente encantado com os equipamentos Technics. Era impossível não admirar aquelas máquinas que, para mim, representavam o que havia de mais avançado e sofisticado no mundo do áudio.
Se você nasceu entre 1946 e 1964, parabéns: você faz parte da geração Baby Boomer. No Brasil, esses anos foram de crescimento, industrialização e… muita curiosidade pelo que o futuro traria. Mas uma coisa era certa: quando nós, eramos jovens, computador era coisa de ficção científica.
Quando os computadores chegaram
Nos anos 60 e 70, os computadores começaram a aparecer no
Brasil, mas não eram aqueles laptops bonitinhos que a gente mexe hoje. Estamos
falando de gigantes que ocupavam salas inteiras e precisavam de técnicos
para ligar. A maioria dos Boomers olhava aquilo e pensava: “Isso nunca vai
entrar no meu dia a dia.”
Anos 80: os microcomputadores chegam
![]() |
| Eu no laboratório da Revista Nova Eletrônica em 1979 |
Aí vieram os microcomputadores, Apple II, TRS-80,
IBM PC. Eles eram mais “amigáveis”, mas ainda caríssimos. Quem tinha um na
empresa ou na universidade era considerado quase um mago da tecnologia.
Para os Boomers, o computador não era brinquedo: era trabalho
sério. Planilhas, processadores de texto e sistemas internos eram desafios
enormes. Muitos precisaram aprender na marra, e algumas histórias dão até
vontade de rir:
A ponte entre o analógico e o digital
Apesar de toda dificuldade, os Boomers foram a ponte
entre o mundo analógico e digital. Eles viram de tudo: da máquina de
escrever ao Windows, passando por planilhas gigantes que pareciam mais
quebra-cabeças.
Aprender a mexer em computadores foi, para muitos, uma
questão de sobrevivência profissional e de orgulho: quem dominava a máquina
na empresa, ganhava status instantâneo.
Resumo
Os Boomers brasileiros foram pioneiros da informática sem nem sonhar que isso ia dominar nossas vidas. Eles foram os primeiros a ensinar “como mexer nesse bicho” para colegas e filhos, criando a ponte entre o mundo de papel e o mundo informatizado.