Em 1996, logo após os primeiros portais de internet se estabelecerem no Brasil, fui indicado pelo amigo José Roberto de Oliveira Prado para implantar uma plataforma de BBS (Bulletin board system) para World Access Communications do Brasil (WAC), uma empresa que atuava no mercado de ligações telefônicas internacionais pelo processo de Call Back.
Na entrevista, com a diretoria, propus apresentar um projeto para implantação de um provedor de acesso a internet e que desistissem da ideia de BBS pois, a Internet rapidamente tornaria a BBS obsoleta. Minha proposta foi de apresentar um Business Plan para o serviço e que estaria pronto em uma semana. O que eu sabia sobre internet era o básico, o que todos os primeiros usuários sabiam, e os meios de pesquisa, na própria internet (discada) eram precários e lentos. Por insistência, nas poucas horas da noite em que tinha a linha telefônica livre para acessar a internet com velocidade máxima de 9.600bps ( eu ainda não tinha modem de 14.400bps), consegui achar um documento da EMBRATEL, que tratava da construção de provedores de internet. Após algumas noites de trabalho elaborei um documento, visando os aspectos técnicos, práticos e financeiros, para a montagem de um provedor de acesso e conteúdo.
Após apresentar o projeto a diretoria da WAC fui contratado imediatamente, com o aceite de todos os requisitos técnicos e financeiros para a implementação do projeto. Confesso que o frio bateu na espinha pois eu nem tinha domínio sobre redes IP, trâmites para contratação de infraestrutura de telefonia, de links para internet, servidores, etc. Claro, tudo isso teria que ser aprendido rapidamente e as próximas semanas seriam de pesquisa intensa sobre a tecnologia, equipamentos, modelo de negócio e etc.
Após as pesquisas, iniciaram as etapas práticas de preparação do local para o provedor, contratação de linhas telefônicas, link(s) de internet, inicialmente um link de 64Kbps com a Embratel, treinamento da equipe de vendas, contratação de técnicos, visita a fornecedores e compra de equipamentos, preparação de manuais, material publicitário e muitos outros detalhes.
Finamente, ainda com poucos recursos, o provedor foi inaugurado e contava com 32 linhas telefônicas providas de modens Total Control da US Robotics, um link de 64 Kbps para a internet, um Roteador CISCO, um computador Pentium 133 rodando Windows NT, para autenticação de clientes, hospedagem da página da empresa e e-mails de clientes.
O início do provedor WAC
O provedor foi evoluindo, assim como a plataforma de clientes e serviços disponíveis. No momento de meu desligamento a WAC contava com aproximadamente com dez mil clientes, muitos deles corporativos e 30 franquiados em todo o Brasil conectados à matriz através de linhas privadas de dados. A infraestrutura já contava com link de internet de 2 Mbps, Linhas telefônicas digitais e um link de 256Kbps em fibra ótica com a filial World Telecom em Miami, este destinado exclusivamente a telefonia internacional via VoIP (Voice over Internet Protocol) e Frame Relay.
Em termos de equipamento possuíamos modems digitais de 56Kbps, links em fibra ótica, switchs frame relay, servidor SUN, PABX NORTEL, roteadores com maior capacidade de tráfego, inclusive entre clientes e a matriz, dentre outros.
Havia um link dedicado de dados entre o CPD da WAC e minha casa, onde eu podia monitorar e intervir nos equipamentos e serviços. Este link foi feito através de uma linha privada de voz, contratada da Telesp conectando dois modems US Robotics Courier V92 de 56Kbps. Foi uma solução simples e barata para me manter conectado 24 horas por dia.
Modem US Robotics V92
Desenvolvemos alguns equipamentos para a integração dos serviços de telefonia internacional, tornando o acesso do cliente inteiramente automático e transparente, cartões para telefonia internacional, unidades de resposta audível, totens de internet pré-paga, dentre outros.
O serviço evoluindo, assim como os equipamentos
A evolução do CPD da WAC
Switch Frame Relay Nortel
Frame Relay Access Device Micom da Nortel, usados para comunicação de voz sob Frame Relay .
Servidor SUN.
Reportagem na revista Veja, sobre os serviços de telefonia internacional.
Exposição em feiras de franquias.
Palestra sobre telefonia via Internet
Totem de acesso a internet pré-paga, primeira versão (protótipo).
Totem de acesso a internet pré-paga, versão final.
O navegador eu fiz em Visual Basic.
Nosso lado de Miami. Switchs telefônicos da Siemens.
Assistindo a partida Vasco x DC United em Fort Lauderdale (EUA). Fornecemos o link para a transmissão da partida para rádios no Brasil.
Torre da Embratel, no Brooklin, de onde vinha nosso link de internet e outros dedicados. Tinha 110 metros de altura. Subi uma vez nela para fazer um teste de visada.
Montando dispensadora de cartões para internet pré-paga
Feira ABF de franquias em São Paulo
A montagem do franquiado em Manaus - AM
CPD em São Paulo - SP
Atendimento a franquiados em São Paulo - SP
PABX NORTEL Meridian em São Paulo SP
Computadores destinados a cursos em São Paulo - SP
Alunos no curso de internet
Roteadores CISCO em São Paulo - SP
Bastidores da filial em Miami - US
O que a mídia falava sobre a Internet em 1996.
Internet World 1996
Ainda trabalhando da WAC, fui convidado para trabalhar na construção de um outro provedor de acesso à internet em São Paulo. Desta vez foi a Conexion, empresa de telecomunicações já consolidada em serviços de acesso a internet com sede no Paraguai. www.conexion.com.py
Mais uma vez o local, onde seria construído um teleporto começou do zero com o aluguel de um andar na cobertura de um edifício na região da Av. Berrini em São Paulo.
O Projeto teve como base a construção de uma rede, via satélite, conectando São Paulo a San Jose nos EUA e Asuncion no Paraguai. O projeto inicial contemplaria somente um provedor de acesso a internet e nada mais.
Em minha entrevista para admissão, com a participação do presidente de empresa e toda a equipe de projetos, apresentei um plano para implantar um gateway para o fornecimento de serviços de telefonia internacional para grandes empresas em São Paulo, esta experiência eu trazia do trabalho na WAC.
Fui admitido e viajei imediatamente, para Asuncion, onde apresentaria o plano para outros departamentos da empresa. O plano foi aprovado e de lá partimos para New Jersey (EUA) para a sede da BELL LABS / LUCENT, onde fizemos muitas reuniões sobre o fornecimento de Switchs, Roteadores e gateways para promover o serviço de VOIP (voz sobre IP).
A montagem da sede em São Paulo, incluindo CPD, teleporto, administração e vendas, seguiu com um cronograma apertado e com muito trabalho coordenado entre São Paulo, Asuncion e San Jose, foi concluída em tempo recorde.
Dois dos primeiros clientes da Cnexion em São Paulo forma a A. P. Moller-Maersk Group (Maersk), o CENU (Centro empresarial Nações Unidas) e o World Trade Center.
Curiosidades:
O início dos serviços do site Mercado Livre foi em uma sala no mesmo edifício, abaixo do nosso andar. O pessoal do Mercado Livre nos consultou para o fornecimento de acesso a internet. O pedido foi negado, pois naquele momento, estávamos com nosso link de satélite comprometido com o fornecimento de telefonia internacional para nossos clientes.
Foi no CPD da Conexion que passei a virada e primeiras horas do ano 2000, monitorando os equipamentos para prevenção de problemas com o Bug do Milênio.
O satélite usado pela Conexion era o Solidaridad 1 da Satmex mexicana. Este satélite sumiu da orbita e nos forçou a reposicionar as antenas em São Paulo, Asunción e San Jose, em apenas uma madrugada.
Segundo boatos um erro no centro de controle do satélite no México inutilizou o Solidaridad 1,
Isso foi em 2000, de acordo com os boatos, alguém disparou acidentalmente um propulsor de correção de orbita do satélite e não conseguiram realinha-lo novamente, o jeito foi reconfigurar tudo para outro satélite, o Solidaridad 2. Nosso dilema foi o ângulo da antena, pois ela quase esbarrava na parede do edifício. Depois de uma madrugada inteira de trabalho, tudo deu certo.
Sala de monitoramento e controle do teleporto em São Paulo
Sala de monitoramento e controle do teleporto em São Paulo
Sala de monitoramento e controle do teleporto em São Paulo
Gerenciando os equipamentos do CPD de São Paulo
CPD da Conexion em São Paulo
Antena do teleporto de São Paulo, 4.5m de diâmetro
Ponto de venda de acesso a internet em Assuncion no Paraguai
Palestra na feira de telecomunicações Telexpo em São Paulo - 1999
Na sede da empresa em São Paulo
Video da palestra na feira de telecomunicações Telexpo em São Paulo - 1999
Hall da sede em São Paulo
Apresentação do teleporto em São Paulo, logo após a inauguração
Em 2000 a Internet no Brasil já estava consolidada, porém, os links de comunicações eram caros e as velocidades altas eram proibitivas.
Os provedores careciam de acessos velozes a backbones ou meios de armazenamento de sites em caches. Neste período surgiu nos EUA a Edgix, uma empresa com sociedade de norte-americanos e indianos, com objetivo de fornecer infraestrutura de satélite para aceleração de acesso em provedores de internet.
Fui convidado por um amigo, dos tempos da WAC, a fazer parte do quadro de funcionários da filial da Edgix no Brasil. Depois de uma entrevista, via telefone e em inglês, com a gerência para a América Latina da empresa em New York, fui aprovado para coordenar os trabalhos de implantação nos fornecedores de acesso a internet no Brasil.
Foi um período onde por meses eu fazia, pelo menos, dois voos por dia visitando clientes em todo o Brasil para cumprir uma agenda corrida de instalações e configurações dos sistemas de cache de páginas de internet.
Infelizmente a Edgix não sobreviveu a seu plano ambicioso de implantação de sistemas no mundo inteiro e encerrou suas atividades em 2021. No Brasil a Edgix teve clientes de peso como a UOL e TERRA.
Antena da Edgix instalada em um provedor em São Paulo
Configurando o sistema de cache em um provedor em São Paulo
Instalando uma antena de satélite em um provedor em Sta. Catarina
Direcionando uma antena de satélite
Na engenharia da Edgix em New York
Em 2001 abri a empresa Alldigital, para fornecer serviços de implantação de redes LAN e acesso a Internet.
Projetei e implantei redes para centros de exposição como o Centro de Exposições Imigrantes em São Paulo, hotéis como o Sete Voltas em Itatiba, indústrias e condomínios empresariais.
Site em 2003
Site em 2009
Monitoramento de redes em condomínios empresariais
Montagem da estrutura para fornecimento de telefonia e internet na Bienal do Livro
À esquerda, o edifício onde inciciou a fábrica da Prológica nos anos 70
(foto recente)
LUCIANO DEVIÁ O DESIGNER DOS GABINETES DA PROLÓGICA
Luciano Deviá, designer italiano, projetava os gabinetes dos equipamentos fabricados pela Prológica.
Luciano acumulou vários prêmios em arquitetura e foi o vencedor da categoria equipamentos domésticos do 1º Prêmio de Design do Museu da Casa Brasileira, em 1986, com o design do gabinete do microcomputador Solution 16.
Solution 16 exposto
Luciano não passava desapercebido quando transitava pela engenharia da Prológica, ou mesmo nos corredores da fábrica, com suas roupas coloridas e sapatos nas cores da bandeira da Itália. A vezes garimpava placas e componentes para aguçar sua mente criativa.
A construção mecânica e layout das placas dos computadores, como o Solution 16, eram projetados para caber nos gabinete projetados pelo Luciano.
Luciano Deviá
Design com identidade brasileira, por Luciano Deviá
Nascido na Itália, Luciano Deviá (1943-2014) formou-se em arquitetura pelo Instituto Politécnico de Turim, em 1970. Estabelecido na profissão em sua terra natal, decidiu se mudar para o Brasil em 1978. Fixou-se em Brasília, onde trabalhou por três anos desenvolvendo projetos de equipamentos para o Hospital Sarah Kubitscheck. Em 1983, fundou um escritório próprio em São Paulo, prestando serviços de consultoria em design, arquitetura e design de interiores.
Apaixonado pela cultura brasileira, transformou chapéus de cangaceiros em espremedores de frutas e jacarés do Pantanal em espátulas.
Paralelamente ao trabalho no escritório, foi consultor do Sebrae e do Senai, por meio do projeto “Via Design”, tendo ministrado inúmeras oficinas de design para marceneiros e artesãos de vários Estados do País, sobretudo da região amazônica. Atuou ainda como professor no Istituto Europeo di Design (IED), em São Paulo, e foi conselheiro do Museu da Casa Brasileira e diretor do conselho de administração de A Casa Museu de Artes e Artefatos Brasileiros, ambos também na capital paulista.
Teve vários de seus produtos premiados no Brasil e no exterior. Realizou três exposiçõess pessoais (1983-1993-2001), participou de inúmeras mostras coletivas e foi curador de duas exposições4
Minha primeira atividade na engenharia da Prológica foi ler e entender o manual técnico do Tandy TRS80, de onde veio o CP500. Foram algumas semanas devorando o manual e tirando dúvidas de funcionamento com o Fabio Trevisan, técnico que já trabalhava na engenharia e dominava o CP500.
Nesta época estava para ser lançado o CP500 M80, com vídeo de 80 colunas e possibilidade de rodar CPM. O Fabio foi o encarregado da lógica do vídeo de 80 colunas e a solução necessitava que o gerador de caracteres fosse modificado para caber no número de linhas e colunas o do hardware de vídeo original do CP500, para isso foi necessário refazer o gerador de caracteres o que resultou em caracteres com formato pouco convencional. O Projeto já estava pronto, com algumas unidades do CP500 M80 já produzidas, mas a aparência do vídeo não agradou a equipe de marketing da Prológica com o risco do projeto ser de ser descartado.
Não não havia mais tempo para desenvolver um novo circuito inteiro e confeccionar novas placas de circuito impresso, pedi para analisar o problema, junto com o Fabio, para tentar alguma outra solução. O Sr. Cláudio Porto, nosso supervisor, me deu carta branca para analisar e tentar alguma solução. Comecei a análise do circuito de vídeo do CP500, para adaptá-lo a 80 colunas e 40 linhas, e utilizar o gerador de caracteres do Sistema 700.
Em alguns dias consegui modificar, minimamente, o circuito de vídeo do CP500 para gerar um vídeo de 24 linhas, com 80 colunas, usando um gerador de caracteres híbrido com o set de caracteres do CP500 e do Sistema 700. Isso culminou com a adição de uma pequena placa, a AX-23 com cinco CIs, que, acoplada a placa original, desenvolvida pelo Fabio, tornava a aparência do vídeo em CPM idêntico ao do Sistema 700. Nesta primeira versão, usei um PLL discreto para gerar o clock do vídeo de 80 colunas, posteriormente foi modificada para usar um cristal.
Finalmente o marketing aprovou e o CP500 M80 foi lançado.
Esquema original da primeira AX23 e minhas anotações.
Caracteres da P-22 sem a AX-23 - Foto de Pedro Machado
Caracteres da P-22 com a AX-23 - Foto de Pedro Machado
Diferença de alguns caracteres entre a P-22 sem AX-23 (esquerda) e com AX-23 (direita)
Notem que com a AX-23 os caracteres são mais definidos pois possuem uma linha e uma coluna a mais.
A esta altura os chips customizados, que fariam parte do CP500 M80 C (compacto), já estavam sendo desenvolvidos e havia um novo problema.
Nós desenvolvemos o circuito dos chips e o projeto foi enviado para San Jose, na Califórnia - EUA, onde um fabricante do chip os produziria. Neste processo, antes da fabricação do primeiro protótipo, nos era retornado uma listagem com um mapa lógico onde reproduzia todos os testes com a nova pastilha com estados lógicos de entradas e saídas e uma resolução de 5ns (cinco nano segundos), isso gerava uma listagem enorme de centenas de folhas de formulário de 132 colunas que precisava ser verificado, linha a linha. Foram inúmeras semanas de análise para aprovar o chip e, devido à nova alteração do circuito, tudo teria que ser refeito e o trabalho, já feito, perdido. Foi daí que tive a ideia de além de refazer o circuito original para o novo vídeo, também gerar uma combinação de sinais de entrada no chip, que nunca aconteceria na aplicação definitiva, isso gerava uma condição para gerar os vetores de teste para o circuito adicionado que não alteravam os vetores para o circuito original, já testado, necessitando apenas de algumas folhas a mais de vetores a ser analisado para o novo circuito de vídeo. Depois de tudo revisado, e algumas semanas depois, chegou o primeiro protótipo do chip com uma apreensão enorme da equipe o chip foi testado e no final funcionou perfeitamente. Ufa!
Placas utilizadas nas versões do CP500
Prológica 08 foi a primeira placa do CP500, lançado em 1982. Era totalmente compatível com o Tandy TRS-80 III e rodava todos os programas desenvolvido para o Tandy. Possui memória RAM de 48K e não possui vídeo de 80 colunas.
Prológica 08 - Foto de JL Martins
Prológica 22 foi a placa elaborada para rodar o SO-08, CP/M da Prológica.
Prológica 22 com AX-23 instalada - Foto de Paulo Américo
A Primeira versão da AX-23 (foto abaixo) utiliza um gerador de clock via PLL (Phase Locked Loop) que aumentava a frequência de clock do vídeo, tendo o cristal original da Placa P22 como referência. Já a segunda versão utiliza um Cristal próprio para gerar o clock.
AX-23 (Neste modelo há um potenciômetro para ajuste do PLL)
Prológica 24 foi a placa desenvolvida para o CP500 M80C. Para esta placa projetamos dois chips dedicados que continham parte da lógica de vídeo e outras funções. Estes chips permitiram reduzir a quantidade de circuitos integrados na placa e consequentemente seu tamanho.
Prológica 24 - Foto de Rodrigo Raposo
Antes de deixar a Prológica eu estava trabalhando nas modificações para que o CP500 rodasse com o clock de 4Mhz (originalmente era 2MHZ). Esta modificação permitiram nascer o CP500 M80C Turbo.
Fabio Trevisan foi uma das primeiras pessoas que interagi tecnicamente na Prológica e o considero, até hoje, uma enciclopédia ambulante. Logo nos tornamos grandes amigos, com uma amizade que perdura até hoje.
Fábio, Tânia (esposa do Fábio), Nice (minha esposa) e eu, logo depois da época da Prológica.
Tânia (esposa do Fábio), Nice (minha esposa), eu e Fábio em um encontro recente.
Nós novamente, em um tour pelo centro de São Paulo (2023)
Fábio e o osciloscópio que restaurou, recentemente, e me presenteou.
O TECLADO CAPACITIVO
Em um determinado momento surgiu a necessidade de um novo projeto para os teclados usados nos computadores profissionais da Prológica.
Eu e Antonio Luiz Navas, engenheiro, fomos designados para desenvolver uma solução cujas premissas eram:
1) Baixo custo;
2) Vida longa e baixa manutenção;
3) Teclas suaves ao toque;
Depois de várias "elocubrações" decidimos experimentar uma abordagem mais eletrônica do que mecânica para o acionamento das teclas e desta forma decidimos dar continuidade ao projeto utilizando a tecnologia de teclas capacitivas. No teclado capacitivo não haviam contatos elétricos para o reconhecimento de teclas pressionadas.
Nesta época "baixou" na engenharia um disco do simulador de circuitos eletrônicos PSpice, produto da OrCAD. Era uma versão de estreia que havia sido lançada em janeiro de 1984 e, claro, não fornecia nenhuma saída gráfica e tão somente uma listagem contendo os estados de entradas e saídas calculados na simulação. Decidi usa-lo no desenvolvimento do teclado e a primeira providência foi fazer uma cópia de backup do diskette.
O software, apesar de ser copiável, não rodava no diskette de cópia, somente o original funcionava. Então começamos a tarefa de descobrir o porque não funcionava e verificamos que o disco tinha dois furos, um a mais além do furo de index. Este furo adicional era feito na área útil de dados do diskete.
O programa tentava ler o setor em que estava o furo e caso conseguisse identificava como um disco de cópia e não permitia o funcionamento. A solução foi mapear no disco a posição exata deste furo e, no disco de cópia, usar um estilete para remover a camada de oxido na exata posição. Desta forma o diskete de cópia também apresentava o mesmo erro, no mesmo setor, e isso "enganava" o teste de originalidade do disco.
Desenhei o circuito básico das teclas e com o PSpice pude simular o comportamento e desenvolver o circuito definitivo.
As teclas usam uma espuma, e em uma face desta espuma havia uma folha de alumínio com uma película isolante que, ao se aproximar da placa de circuito impresso, permitia que o sinal de varredura da tecla passasse de um lado a outro, entre duas trilhas, pelo efeito capacitivo sem contato elétrico.
Diagrama da tecla capacitiva
Película de alumínio das teclas - Foto de Paulo Américo
Placa de circuito impresso do teclado do CP500 - Foto de Paulo Américo
Houve, a necessidade de um artifício para dar um feedback ao usuário, pois não mais havia a sensação tátil e nem auditiva ao teclar. A solução foi acionar um pequeno relê para promover um retorno auditivo a cada vez que se pressionasse uma tecla.
Antonio adaptou o software do teclado para a tecnologia capacitiva e eu projetei o hardware e o layout da placa.
Os teclados capacitivos foram adotados para os computadores SP16, Solution 16 e CP500.
Esquema do teclado capacitivo usado no SP16
A INTERFACE PARA VIDEO COLORIDO PARA O SOLUTION 16
Alguns exemplares do Solution 16, as mais atuais, possuem o recurso de enviarem o vídeo colorido para um monitor de vídeo composto, TV ou projetor coloridos. Projetamos uma interface para converter o sinal RGBHV do conector CGA para sinal de vídeo composto. Embora a solução foi clássica, ao utilizar um CI MC1377, houve a necessidade de se usar o clock interno da controladora de vídeo e não um cristal separado para o MC1377. O uso de um cristal separado deixava a tela com muito ruído, originário do batimento entre o clock interno e o externo. Foi necessário levar o clock interno para o conversor, através no mesmo conector CGA. A solução levou, além do clock, também a alimentação para o conversor.
Note que o clock do circuito saí do Solution 16, através da modulação da alimentação, e separada nesta placa do conversor. Isso era necessário para que não houvesse distorções nas cores e batimento, por conta de clocks separados. Sinais de vídeo RGB H V e alimentação 12V saíam do Solution 16 no mesmo conector CGA DB9.
Para aqueles que tenham Solution 16 e pretendem conecta-lo a um monitor CGA, cuidado pois alguns modelos tem na saída CGA, também,12Vcc em um dos pinos.
Meu manuscrito do projeto da interface, na época do projeto
ALÉM DOS MUROS DA PROLÓGICA
A equipe da engenharia era muito unida e as atividades em grupo iam além dos domínios da Prológica.
Eu e Jeferson, engenheiro da Prológica, no batismo do curso de mergulho em Angra
Eu e Pedro, engenheiro da Prológica, em explorações de cavernas no PETAR
Eu e Jeferson, engenheiro, em explorações de cavernas no PETAR
Patrício, supervisor de desenhos, Pedro e eu (de capacete) quando quebrei a asa no curso.
Nos finais de semana, em Ubatuba
Marcelo e eu, no curso de mergulho em Angra dos Reis
Eu e Fabio Trevisan, técnico da engenharia da Prológica, em um encontro recente.
Eliana Demasi Garcia (foto recente)
Companheira do setor de desenho (esquemas e layouts de PCIs) da Prológica.