O Vinil
17 abril 2016
O som em alta fidelidade - Parte 4
14 abril 2016
O som em alta fidelidade - Parte 3
Fui logo direto atacando o MP3, simplesmente por ser o formato de áudio digital mais utilizado hoje, mas existem outros inúmeros formatos de áudio digital, alguns podem ser considerados aptos a cumprir com as expectativas de uma audição Hi Fi, outros não.
Um pouco sobre arquivo de áudio digital.
PCM
Pulse-code-modulation, ou modulação por largura de pulso, é o método mais comum de armazenamento de sinais de áudio em formato digital. Os dados armazenados na forma PCM representam a forma de onda do som utilizando de dois parâmetros para a codificação (passagem de analógico para digital) e decodificação (recomposição de digital para analógico): A taxa de amostragem, e a profundidade de bits.
Taxa de amostragem.
Representada em Hertz, é a frequência ou número de vezes que a forma de onda analógica é amostrada durante o processo de conversão. Normalmente os valores são representados na faixa de Kbps ou Kilo bits por segundo, quanto maior a taxa de amostragem, mais fiel será a representação digital da forma de onda sonora.
Profundidade de bits
Representam quantos valores cada amostragem pode ter entre o nível de sinal mais tênue e o mais forte. É representada em bits, normalmente entre 12 e 24 bits. Uma profundidade de 12 bits pode representar cada amostragem numa faixa de 4096 valores possíveis, uma taxa de 24 bits pode representar numa faixa de 16777215 valores possíveis.
Note-se que a resolução, ou definição da representação da forma de onda com 24 bits é 4095 vezes superior a de 12 bits, ou seja, será possível distinguir muito mais detalhes do formato forma de onda analógica original, assim como as pequenas diferenças de nível entre as passagens de baixo volume e as de maior volume serão melhores notadas.
Taxa de bits
Representada em Bits por segndo, é o índice obtido pela multiplicação dos tempos de sua profundidade de bits, pela taxa de amostragem e o número de canais (dois para estéreo). Como exemplo a taxa de bits de um CD é igual a 1.4411 Kbps, ou seja, 16 bits x 44100 bps x 2.
Os arquivos de áudio digitais mais comuns incluem as taxas de: 256kbps, 320kpbs, 16-bit / 44,1KHz (qualidade de CD), 16-bit / 48khz, 24 bits / 44,1 kHz, 24-bit / 48khz, 24-bit / 96 kHz, 24-bit / 172.4kHz, e 24-bit / 192khz.
Os arquivos a partir de 24-bit/48khz são considerados de áudio de alta definição ou áudio HD e são os mais indicados para audições em Hi Fi, mas existem certas polêmicas sobre este limiar, ou a partir de que valores pode-se considerar de alta qualidade. Eu particularmente procuro sempre arquivos de 24 bits / 96 khz para cima.
Há também arquivos extreme Digital Definição (DXD) disponíveis, que são arquivos de PCM com uma taxa de profundidade de bits e amostragem de 24-bit / 352.8kHz.
Estejam atentos que quando maior a taxa de bits de um arquivo de som digital, maior será o tamanho do arquivo para armazenamento.
O armazenamento digital
Os arquivos PCM podem ser armazenados em formatos compactados ou não. Os formatos mais comuns, os compactados, são divididos em lossless (sem perdas) e lossy (com perdas).
Os arquivos não compactados não oferecem nenhuma modificação nos dados gerados originalmente, ou seja, o arquivo original não é alterado, já os compactados (comprimidos) os dados são alterados de forma a alcançar tamanhos de arquivos menores que os não compactados.
Na compressão sem perda (lossless), todos os dados gerados originalmente são preservados, na compressão com perdas (lossy) os dados originais são alterados ou descartados e haverá perdas das características originais, que não poderão mais ser recuperadas.Um arquivo compactado originalmente com perdas, se for processado, e regravado, as regravações sempre somarão mais perdas e conseqüente menor qualidade do som final. Em teoria, um arquivo lossy reprocessado muitas vezes acabará em um arquivo de silêncio.
Formatos mais comuns de arquivos.
Comprimidos, com perdas
MP3
O formato de arquivo com perdas comprimido mais popular. Amazon, entre muitos outros, usa MP3 como formato para seus arquivos de música (taxa de bits média: 256 kbps).
AAC
Advanced Audio Coding. AAC é um formato de arquivo com perdas comprimido criado para ser o sucessor do MP3 é usado por sites como o iTunes Store para seus downloads de música (taxa de bits: 256kbps).
OGG
OGG Vorbis. O Spotify usa o formato de Vorbis para os seus serviços de streaming e oferecem três níveis de qualidade: 96kbps, 160kbps e 320 kbps.
WMA
Windows Media Áudio (WMA) é o codec nativo do Windows.
Comprimidos, sem perdas
ALAC
Apple Lossless Áudio Codec (ALAC) de propriedade da Apple.
APE
APE é um formato lossless comprimido.
FLAC
Free Lossless Audio Codec (FLAC). O formato de arquivo sem perdas comprimido mais comum para downloads de música de qualidade. FLAC, que é open source, suporta metadados incorporados e normalmente reduz o tamanho do arquivo original descompactado.
Sem compressão, sem perdas
AIFF
AIFF (AIFF). AIFF é o formato de arquivo não compactado proprietário da Apple.
FLAC (não comprimido)
Free Lossless Audio Codec (FLAC).
WAV
Waveform Audio File Format (WAVE ou WAV) desenvolvido pela Microsoft e IBM.
DSD
Direct Stream Digital criado pala Sony e Philips originalmente para SACD (super áudio CD) utilizam modulação de pulso densidade (PDM) de codificação para armazenar sinais analógicos. DSD é um formato de 1-bit com taxas de amostragem de 2.8224 MHz (DSD taxa única) e 5.6448 MHz (DSD taxa dupla).
Existem inúmeros outros tipos de arquivos, uns proprietários outros não, mas a lista é extensa e os citados acima, sendo os mais populares, já representam muito bem as famílias de arquivos de áudio digital.
Bom, é fácil concluir que:
1 – Arquivos digitais comprimidos com perdas têm menor qualidade que arquivos comprimidos sem perdas ou arquivos sem compressão;
2 – Que quanto maior a compressão do arquivo, pior sua qualidade;
3 - Quanto menor a taxa de compressão ou taxa de bits, menor o tamanho do arquivo a ser armazenado;
4 – Quanto maior a taxa de amostragem, maior a profundidade de bits e conseqüente maior taxa de bits, melhor a qualidade do arquivo;
5 – Um arquivo comprimido lossles (sem perdas) pode ser processado, mixado, equalizado, editado e posteriormente gravado sem perdas;
6 – Um arquivo comprimido lossy (com perdas) perde qualidade a cada vez que é processado e posteriormente gravado;
Abaixo ilustro com o conjunto que uso para ouvir música Hi Fi de forma privada ou em deslocamento.
Player de alta resolução Fiio X3, reproduz quase todos os formatos até 24bits/192Khz, fones Sennheiser Momentum e CX300-II.
O formato do arquivo que mais uso, com certa facilidade de se conseguir, é o FLAC 24 bits/96 Khz,
11 abril 2016
O som em alta fidelidade - Parte 2
Tempos atrás às vezes me pegava pensando que ouvir música de, e com, qualidade era coisas do passado.
É raro em qualquer grupo, cujo assunto seja música, o “papo” seguir para o lado da música de qualidade ou mais raro ainda da audição em Hi Fi. Fora de raríssimas rodas que tratam de música e audição de qualidade, que normalmente são embaladas pelos “coroas”, a maioria dos jovens vive num mundo de música estritamente comercial e literalmente comprimida nos formatos populares de armazenamento, nos minúsculos gabinetes dos aparelhos atuais, além da compressão em termos de qualidade da peça musical.
Mesmo no passado, nos tempos dourados do Hi Fi, o lado comercial das gravadoras já clamava pela compactação ou compressão do som na tentativa de adaptar suas produções às massas dos equipamentos populares emergentes.
“Se a maioria não poderia ter uma caixa acústica de tamanho adequado para reproduzir graves então porque não retiramos os graves das produções?”.
Estes pensamentos, focados na compressão pela retirada de elementos musicais, como o baixo, somaram-se à necessidade de maior capacidade de armazenamento. Com o surgimento dos aparelhos portáteis que popularmente foram chamados de Walkman, marca registrada da SONY, podia-se levar o som para qualquer lugar, o que tornou maior a necessidade de fazer caber mais música em menos espaço.
Na década de 90 com o aparecimento do MP3 este mercado explodiu, e literalmente colocou um pouco de lado o aspecto qualidade ao som. Inicialmente os aparelhos possuíam pouca capacidade de armazenamento, portanto, os tamanhos dos arquivos MP3 teriam que chegar a 1/20 ou mais do que os mesmos no formato de CD e, claro, a qualidade caia drasticamente.
A grande vantagem, atribuída ao formato MP3, é que permite diminuir drasticamente o tamanho do arquivo retirando-se componentes do som que supostamente são inaudíveis ou não essenciais. O problema desta compressão é que estes elementos inaudíveis e não essenciais afetam, de forma geral, a qualidade, modificando nossa percepção do som e podem inserir outros componentes que originalmente não estão presentes na peça original.
Ouvir estes arquivos em equipamentos Low End (de baixa qualidade) e/ou em condições não ideais de audição ( na rua, no carro, etc.) não causa grandes frustrações, porque num todo a baixa qualidade e as interferências externa filtram os problemas causados pelas perdas, porém, ouvir estes arquivos em equipamentos Hi Fi de alta qualidade certamente será frustrante, pois os problemas serão acentuados em muito mais grau do que as melhorias que o equipamento Hi Fi poderiam acrescentar.
Como muitos que estão lendo este texto não tem, ainda, acesso a equipamentos de alta qualidade e fontes sonoras adequadas para a comparação, vou citar um cenário de exemplo que, embora não esteja relacionado com som, é similar e com certeza muitos já vivenciaram.
Quando montei meu primeiro home theater, em 1998, procurei o que de melhor o meu bolso poderia comprar, em matéria de TV. Nesta época possuía uma assinatura de TV à cabo analógica, que em minha região possuía um sinal de qualidade. Minha TV, de 29 polegadas era fantástica e podia reproduzir todos os detalhes que a transmissão a cabo analógica fornecia na época.
Ao migrar para a TV por assinatura digital, ainda SD (Definição Standard), que prometia imagens sem ruído e de alta qualidade, logo percebi que a verdade não era exatamente esta.
Ao instalar o receptor digital, em minha TV cuidadosamente regulada para sessões de DVD, a imagem do sinal digital parecia horrível, cheia de quadriculados, sem muita definição e em certos momentos de movimento os detalhes ficam literalmente chapados.
Mas como uma TV de qualidade, devidamente regulada, poderia apresentar uma imagem ruim com um sinal digital? A resposta estava na compressão do sinal da TV digital.
O equipamento de alta qualidade (TV), ao que comparo ao equipamento de áudio Hi Fi, mostrava com muito mais definição e clareza os defeitos causados pela compressão e digitalização do sinal de TV digital e as melhorias eram insignificantes. Hoje em dia este efeito é muito mais evidenciado utilizando-se TVs de HD (Alta Definição) com o sinal SD (Definição Standard) das transmissões de TV digital.
Com uma fonte de sinal de baixa qualidade, a qualidade final fica inversamente proporcional a qualidade o equipamento de reprodução, neste caso a TV. Mas se eu assistir um sinal SD em um aparelho de TV, de baixa qualidade e resolução, estes defeitos não ficam evidentes.
Voltando ao mundo do som, fica claro que a qualidade da fonte sonora assim como dos meios, ou formatos de armazenamento são fundamentais para uma audição Hi Fi, independente de ser analógico (LPs, fitas, transmissões de rádio, etc.) ou digital. Isto corrobora o efeito de corrente na cadeia auditiva, onde a qualidade total nunca será maior que a qualidade do pior elemento ou “elo mais fraco” da cadeia.
A audição Hi Fi começa na escolha e na qualidade da fonte sonora e do material musical.
Na continuação abordarei com mais profundidade os aspectos deste e de outros formatos da fonte sonora e como suas características influenciam na experiência auditiva.
Continua...
10 abril 2016
O som em alta fidelidade
Importante saber também que quanto maior a frequência do som ( sons agudos ) mais direcional sua propagação será. Por isso as caixas devem ter seus tweeters direcionados para o ouvinte e na mesma altura dos ouvidos, isto implica em se colocar as faces dianteiras das caixas viradas para a posição do ouvinte e em alguns casos usar algum tipo de pedestal.
06 março 2016
ELETRÔNICA PARA TODOS - A revista que me despertou para a eletrônica.
O ano era 1974, mais especificamente 1º de fevereiro, quando comprei minha primeira revista de eletrônica: a edição número 3 da revista Eletrônica Para Todos. A data ficou marcada em minha memória, pois, nesse mesmo dia, ocorreu o incêndio no edifício Joelma, em São Paulo. Eu e minha irmã, Elsa, estávamos a caminho da casa de meus tios Heronides e Leocádia e de minhas primas Ivete, Leda e Arlete.
Desde muito pequeno, sempre tive interesse por assuntos científicos, mas sem uma área específica de preferência. Naquele dia, enquanto esperávamos o ônibus na estação rodoviária de Santos, deparei-me com essa revista em uma banca de jornal.
O nome da revista era muito sugestivo e me parecia ser destinada a "todos", como eu. No entanto, eu não tinha dinheiro suficiente para comprá-la e precisei convencer minha irmã a me emprestar toda a sua mesada para completar o valor.
Meu tio Heronides, ao ver que eu tinha comprado a revista, no dia seguinte me levou para um tour na rua Santa Ifigênia, no centro de São Paulo. Essa rua era o principal ponto de venda de componentes eletrônicos, e esse passeio me deixou encantado, embora eu não tivesse condições de comprar nada. Também foi marcante quando subimos o viaduto Eusébio Estevaux, que dá acesso à Avenida Nove de Julho, e, de lá, pudemos observar o cenário de destruição no edifício Joelma e arredores. O edificio ainda soltava muita fumaça e uma equipe imensa de bombeiros e ambulâncias trabalhavam no rescaldo e na busca por vítimas.
Nos dias que se seguiram nas férias, enquanto as meninas brincavam, eu lia e relia os artigos da revista, claro, sem entender quase nada. Foi quando comecei a associar os desenhos dos componentes nos esquemas aos desenhos nas placas de circuito impresso ou montagens em ponte, simplesmente contando a quantidade de um determinado símbolo no esquema e encontrando o equivalente na placa. Dessa forma, com essa e outras revistas, comecei a relacionar as montagens com os esquemas. Com o tempo, mais alguns anos e muitas leituras, fui aprendendo eletrônica como autodidata.
Naquela época, eu tinha 13 anos e, a partir dai, todo o dinheiro das minhas mesadas era convertido em revistas e em alguns poucos componentes para realizar algumas montagens, algumas das quais tiveram sucesso. A primeira montagem que realmente funcionou foi uma luz rítmica que, associada ao meu rústico aparelho de som, iluminava meu quarto.
Quando nos mudamos de Santos para São Paulo, meu segundo emprego foi em uma loja de componentes eletrônicos chamada FILCRES, localizada na rua Aurora, uma travessa da rua Santa Ifigênia.
Em 1979, já trabalhando no laboratório da famosa revista Nova Eletrônica, do mesmo grupo da FILCRES e PROLÓGICA, perguntaram-me o que era necessário para ser um bom técnico em eletrônica. Minha resposta foi:
"Para ser um bom técnico, é preciso, além da formação, ler muitas revistas de eletrônica"
Hoje, a resposta seria:
"Para ser um bom técnico, é preciso ir além da décima página de resposta do Google"
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Eu no laboratório da Revista Nova Eletrônica em 1979![]() Minha irmã Elsa, e eu. (foto recente) |
HISTÓRIAS DOS BASTIDORES DA REVISTA
















