26 outubro 2026

A saga do CP500 Nanico: quando a nostalgia dá trabalho!

 

Uma ideia que nasceu das lembranças dos anos 1980 acabou se transformando em mais um desafio para quem nunca perdeu a vontade de construir alguma coisa.

Existem projetos que a gente começa por necessidade. Outros nascem de uma ideia que fica guardada durante anos, até que chega o momento de colocá-la em prática.


Versão inicial em madeira.




O CP500 Nanico nasceu assim.

Minha história com o CP500 vem da década de 1980, quando trabalhei na Prologica, participando do desenvolvimento de computadores da empresa. Foi uma época marcante da minha vida profissional, quando a informática brasileira vivia um período de grande criatividade e precisávamos encontrar soluções para os desafios tecnológicos daquele tempo.

Participei de trabalhos relacionados ao CP500 M80, ao M80C e ao M80 TURBO, além de atividades envolvendo o teclado e outros periféricos. Por isso, o CP500 nunca foi apenas mais um computador antigo para mim. Ele faz parte da minha própria história.

Curiosamente, apesar dessa ligação, nunca tive um CP500 para chamar de meu.

O tempo passou, vieram outros computadores, outras tecnologias e muitas mudanças na informática. Mas aquela vontade continuou guardada em algum lugar.

Até que resolvi fazer alguma coisa a respeito.






Nasce o Nanico

A ideia era construir uma réplica compacta do CP500, pequena o suficiente para ocupar pouco espaço, mas que preservasse a aparência e o espírito da máquina original.

Assim nasceu o CP500 Nanico.

O primeiro desafio foi reproduzir o gabinete. Eu não tinha todas as medidas necessárias, então precisei recorrer a fotografias, proporções e à ajuda de um amigo que possuía um CP500 M80C original. Com essas referências, comecei a dar forma ao projeto.

A primeira versão utilizou peças de MDF cortadas a laser, um Raspberry Pi 3 e o emulador SDLTRS. Também desenvolvi soluções para o teclado e procurei reproduzir detalhes que tornassem a experiência mais próxima da utilização do computador original.

Em janeiro de 2017, publiquei no blog o relato dessa experiência. Foi gratificante ver aquela ideia sair do papel e se transformar em um computador funcional.

Eu poderia ter ficado satisfeito com o resultado, mas quem me conhece sabe que dificilmente deixo um projeto completamente quieto quando encontro uma maneira de melhorá-lo.

E foi assim que o gabinete ganhou uma nova temporada.


A vontade de fazer melhor

Desta vez, resolvi reconstruir o gabinete utilizando modelagem tridimensional. A intenção era ter mais liberdade para trabalhar nas formas, ajustar as medidas e preparar as peças com maior precisão.

Parecia uma evolução natural do projeto. Afinal, depois de já ter construído uma versão física, eu conhecia melhor os detalhes que precisavam ser reproduzidos.

Só não imaginava que essa etapa me daria tanto trabalho!




O gabinete, visto de fora, parece relativamente simples. Tem suas laterais, inclinações, aberturas e detalhes característicos. Mas existe uma diferença enorme entre olhar para uma peça pronta e conseguir reproduzi-la de maneira que tudo se encaixe como deveria.

Uma pequena alteração pode afetar outra parte. Um detalhe que parece insignificante pode comprometer o resultado final. E aquilo que deveria ser uma tarefa rápida acaba tomando horas de atenção.

Foi o que aconteceu durante a reconstrução do corpo principal do gabinete.


Quando um pequeno detalhe vira um problemão




Em determinado momento, comecei a enfrentar uma deformação que aparecia justamente quando tentava dar espessura às paredes do gabinete.

A proposta era simples: construir paredes com dois milímetros de espessura e preservar o formato externo. Mas o resultado insistia em apresentar uma irregularidade na parte inferior.

Tentei resolver o problema de diferentes maneiras. A cada tentativa, parecia que estava chegando perto, mas a deformação continuava lá.

Confesso que houve momentos em que me perguntei por que uma peça aparentemente tão simples estava dando tanto trabalho.

Afinal, eu não estava projetando um foguete! Queria apenas fazer o gabinete de um pequeno computador que conheço há décadas.

Depois de observar o modelo com mais atenção, encontrei um pequeno detalhe na geometria que estava provocando o problema. Bastou corrigir aquele ponto para que a deformação desaparecesse.

Pronto! Uma batalha vencida.

Pode parecer pouca coisa para quem não está envolvido no projeto, mas quem já passou horas tentando descobrir por que algo não funciona sabe a satisfação que sentimos quando finalmente encontramos a solução.

E, naturalmente, a comemoração dura pouco. Logo aparece outra coisa para ajustar.

É preciso ter paciência




O trabalho continua, e ainda há detalhes para acertar. Quero que as aberturas do teclado, as ranhuras, os encaixes e os demais elementos fiquem de acordo com o que planejei.

Não estou buscando apenas um gabinete que fique bonito em uma fotografia. Quero construir algo que faça sentido como peça física, respeitando as proporções e as características do equipamento que serviu de inspiração.

Essa preocupação talvez explique por que o projeto demora mais do que eu gostaria. Quando alguma coisa não fica como imaginei, tenho dificuldade em simplesmente aceitar e seguir adiante.

Às vezes, é preciso voltar uma etapa, rever o que foi feito e tentar novamente.

É um exercício de paciência, mas também de aprendizado. Mesmo depois de tantos anos trabalhando com tecnologia, continuo descobrindo coisas novas e encontrando desafios diferentes.

E isso é bom. Seria muito fácil passar o tempo apenas olhando para o passado, lembrando os computadores com os quais trabalhei. Prefiro continuar fazendo alguma coisa, experimentando e transformando minhas ideias em projetos reais.

Muito mais do que uma miniatura




Para quem vê o CP500 Nanico pela primeira vez, ele pode parecer apenas uma versão reduzida de um microcomputador antigo.

Para mim, representa muito mais.

É uma ligação com uma época importante da minha vida profissional, com os colegas que participaram daquela história e com um período em que a indústria brasileira de informática precisava de criatividade, conhecimento e muita dedicação para desenvolver seus próprios equipamentos.

O primeiro Nanico já foi uma maneira de recuperar um pouco dessa história. O novo trabalho no gabinete é uma oportunidade de fazer melhor, corrigir detalhes e continuar aperfeiçoando algo que começou como um projeto pessoal.

Também é uma maneira de provar para mim mesmo que ainda tenho disposição para enfrentar novos desafios.

A tecnologia mudou muito desde os anos 1980. Hoje, temos ferramentas que permitem realizar coisas que seriam bem mais difíceis naquela época. Mas uma coisa não mudou: a satisfação de encontrar uma solução para um problema e ver o resultado aparecer diante dos nossos olhos.





E a saga continua!

Enquanto escrevo este relato, o gabinete ainda está em desenvolvimento. Há ajustes pela frente, peças a conferir e detalhes que precisam chegar ao resultado que tenho em mente.

Mas cada problema resolvido representa um passo adiante.

Talvez alguém pergunte se vale a pena tanto trabalho por causa de um pequeno gabinete. A resposta é simples: para mim, vale.

Não se trata apenas de construir uma réplica. Trata-se de continuar uma história que começou muitos anos atrás, quando eu participava do desenvolvimento do CP500 na Prologica.

Naquela época, eu trabalhava para ajudar a criar computadores. Décadas depois, estou aqui, tentando reproduzir um deles em tamanho reduzido, usando ferramentas completamente diferentes.

O tempo passou, mas algumas coisas permanecem: a curiosidade, o prazer de construir e aquela insistência de querer ver tudo funcionando como deveria.

E, pelo jeito, ainda não aprendi a desistir diante de um problema que parece simples, mas se recusa a ser resolvido!






O Gabinete do CP500 Nanico, agora, vai para a primeira prova de impressão.


Para conhecer a história desde o começo, leia o artigo original: Meu CP500 Prológica na versão Nanico.

Um comentário:

  1. Parabens cara, sempre vencendo dificuldades e avancando com novidades

    ResponderExcluir