23 fevereiro 2025

Tocador de MP3 RIO PMP300

 


A história do MP3 Rio

Nos anos 1990, a música digital começava a ganhar popularidade com o formato MP3, permitindo que os usuários compactassem arquivos de áudio para armazenamento e compartilhamento mais fácil. Quem não teve em seu computador o Winamp instalado? No entanto, não existiam dispositivos portáteis que reproduzissem esse formato. Foi nesse cenário que surgiu o Rio PMP300, um dos primeiros tocadores de MP3 a serem comercializados, ajudando a pavimentar o caminho para a revolução da música digital.

Foto: divulgação Diamond



O Lançamento e o Sucesso do Rio PMP300

Foto: divulgação Diamond


O Rio PMP300 foi lançado em 1998 pela Diamond Multimedia, uma empresa especializada em hardware multimídia. Custando cerca de US$ 200, o dispositivo oferecia 32MB de memória interna, o que permitia armazenar aproximadamente 10 músicas, em uma taxas de bits de 32 com qualidade não muito boa. Para a época, isso era inovador, já que os consumidores estavam acostumados a carregar CDs e fitas cassete. 

Apesar das limitações de espaço e da interface simples, que exibia apenas o número da faixa em um pequeno display LCD, o Rio PMP300 teve um impacto significativo no mercado. Seu design compacto, a capacidade de expansão via cartões SmartMedia de até 32MB, e a função de reprodução aleatória ajudaram a torná-lo um dos primeiros MP3 players de sucesso comercial.


Sem USB? 

Se hoje o padrão USB está presente em todos os eletrônicos possíveis, em 1998 a regra era cada periférico ter seu próprio padrão. Como então o Rio PMP300 se conectava ao computador? Simples: por meio da porta paralela, usada antigamente para impressoras. Dentro do kit do tocador de MP3 havia um adaptador para a porta paralela e um cabo proprietário que era conectado ao gadget.

Foto: divulgação Diamond


Em 1998, em uma viagem profissional a Assunción no Paraguay, comprei um exemplar do RIO PMP300. Eu nem tinha arquivos MP3 para ouvir-lo imediatamente. Um dos colegas de trabalho paraguaio me deu u CD com muitas músicas dos anos 80 e, as pressas, consequi colocar 10 músias no RIO para ouvir na viagem de volta.


A Batalha Legal com a Indústria da Música

O sucesso do Rio PMP300 rapidamente atraiu a atenção da Recording Industry Association of America (RIAA), que via o dispositivo como uma ameaça ao modelo tradicional de distribuição de música. Em outubro de 1998, a RIAA entrou com um pedido de liminar para impedir a venda do aparelho, alegando que ele violava o Audio Home Recording Act (AHRA) de 1992, uma lei criada para regular a gravação de mídia digital.

A Justiça dos EUA negou a liminar, argumentando que a lei não se aplicava ao MP3, já que ele não era um formato de mídia física tradicional. Essa decisão foi um marco para a música digital, pois abriu espaço para o desenvolvimento de outros reprodutores MP3 e serviços de distribuição online.


A Evolução da Linha Rio

Após o sucesso do PMP300, a Diamond Multimedia e, posteriormente, a SonicBlue (que adquiriu a linha Rio) lançaram novos modelos com mais capacidade e recursos avançados. Entre os destaques estavam:

  • Rio 500 (1999) – Melhor qualidade de som, 64MB de memória e conexão USB para transferências mais rápidas.
  • Rio 800 e Rio 900 – Modelos aprimorados com mais armazenamento interno.
  • Rio Karma (2003) – O modelo mais avançado, com 20GB de capacidade, suporte a Ogg Vorbis e FLAC, e uma interface inovadora.


O Fim da Linha Rio

Apesar de sua popularidade inicial, os tocadores Rio perderam espaço no mercado com a chegada do iPod da Apple em 2001, que oferecia maior armazenamento e uma interface mais intuitiva. A SonicBlue, que havia adquirido a linha Rio, entrou em dificuldades financeiras e acabou fechando suas portas em 2003.

A marca Rio sobreviveu por mais alguns anos, sendo comprada por outras empresas, mas acabou desaparecendo por volta de 2005, deixando um legado importante na história da música digital.


Legado e Impacto

O Rio PMP300 e seus sucessores ajudaram a popularizar a ideia da música digital portátil, desafiando a indústria fonográfica e abrindo caminho para serviços de streaming e tocadores modernos. Ele mostrou ao mundo que era possível carregar uma biblioteca de músicas sem precisar de CDs ou fitas, um conceito que se tornou a base para a revolução digital que vivemos hoje.


Especificações do PMP300

  • Armazenamento: 32 MB de memória flash interna (expansível com cartões SmartMedia de até 32 MB)
  • Formatos suportados: MP3 (taxas de bits de 32 a 128 kbps)
  • Conectividade: Porta paralela para transferência de arquivos (via software proprietário)
  • Alimentação: 2 pilhas AAA (autonomia aproximada de 8 a 12 horas)
  • Saída de áudio: Conector de fone de ouvido estéreo de 3,5 mm
  • Taxa de amostragem suportada: 44,1 kHz
  • Dimensões: Aproximadamente 9,1 cm × 6,4 cm × 1,9 cm
  • Peso: Cerca de 70 gramas (sem pilhas)
  • Software: Acompanhado por um programa de gerenciamento de músicas para Windows
  • Extras: Tela monocromática LCD, equalizador básico e clipe para prender no cinto

Antes do RIO

Para ouvir MP3 em casa, eu usava um computador montado no rack da sala do apartamento, criado exclusivamente para tocar músicas pelo WinAmp. Ele sequer tinha uma placa de som dedicada, e a qualidade do áudio... bem, não era das melhores.


MP3 no rack do Apto ~ 1997

Nos dias de hoje

Ao longo dos anos, utilizei diversos aparelhos de MP3 e MP4 chineses. Com o tempo, fui migrando para dispositivos de qualidade muito superior, capazes de reproduzir arquivos de alta resolução e formatos de áudio sem perdas. Meus últimos players foram da marca FiiO, nos modelos X3 e X5. Atualmente, já não possuo nenhum deles. Hoje, opto por usar o celular em conjunto com um DAC externo de alta qualidade e o software USB Audio Pro, garantindo uma experiência sonora excepcional.


FiiO X3 e fone KZ ZSN

FiiO X5 e fone  KZ ZS10 PRO


DAC KEYSION - No Celular


DAC KEYSION - No Notebook


Fone  KZ ZS10 PRO






11 fevereiro 2025

PROBLEMA DE BALANCEAMENTO EM AERONAVES

 

Airbus A321

Estive em um voo no Airbus A321, cuja capacidade é de 220 passageiros. No entanto, esse voo transportava menos de 20 passageiros, aproximadamente metade nas primeiras fileiras  e o restante nas últimas.

Diante da grande quantidade de assentos vazios, alguns passageiros tentaram se sentar em outros lugares, principalmente próximos à janela. No entanto, as comissárias rapidamente pediram que retornassem aos assentos designados no cartão de embarque. Isso gerou certo desconforto, pois alguns não compreenderam a explicação sobre a necessidade de manter a distribuição correta dos passageiros devido ao balanceamento de peso da aeronave.

O balanceamento de peso em um avião é essencial para garantir que o centro de gravidade permaneça dentro dos limites seguros. Isso é crucial para:

  • Estabilidade: Mantém o equilíbrio da aeronave durante o voo.
  • Desempenho: Permite que o avião opere de maneira eficiente, garantindo boa manobrabilidade.
  • Segurança: Minimiza riscos, especialmente em momentos críticos como decolagens, pousos e manobras.

Uma distribuição inadequada dos passageiros pode deslocar o centro de gravidade, comprometendo a estabilidade e o controle da aeronave. Por essa razão, as companhias aéreas seguem procedimentos rigorosos de embarque e, quando necessário, podem solicitar que alguns passageiros mudem de assento para manter o equilíbrio ideal do avião.

Um acidente com Airbus A320 da Alitalia, em 2017, foi causado por problema de balanceamento.

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03 fevereiro 2025

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL DOS ANOS...50!



Origens e Primeiros Conceitos

Antiguidade:    Ideias sobre máquinas inteligentes aparecem em mitos e histórias, como o autômato de Talos na mitologia grega.

Século XVII e XVIII:     Filósofos como Descartes e Leibniz exploraram a ideia de pensamento mecânico e sistemas de cálculo lógico.


Início Formal da IA

1950:     Alan Turing propõe o Teste de Turing, um critério para avaliar se uma máquina pode exibir inteligência equivalente à humana.

1956:    A conferência de Dartmouth, organizada por John McCarthy, Marvin Minsky, Nathaniel Rochester e Claude Shannon, marca o nascimento oficial da IA como campo de pesquisa.


Evolução da IA

Décadas de 1950-1970:   Avanços iniciais em algoritmos, aprendizado de máquina e redes neurais primitivas.

Décadas de 1980-1990:   Introdução de redes neurais mais avançadas e sistemas especialistas.

Anos 2000 em diante:   Avanço do aprendizado profundo (deep learning), IA generativa e aplicação em diversas áreas.


Hoje, a IA está presente em assistentes virtuais, diagnósticos médicos, carros autônomos e até na criação de arte e textos.


ELIZA, o (quase) CHAT GPT das décadas de 60, 70 e 80.

Capa do manual do Eliza


O Software ELIZA permitia conversar com ele via teclado, como se fosse um psicólogo, em computadores da década de 80na década de 80. ELIZA foi criado em 1966 pelo cientista da computação Joseph Weizenbaum no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e é considerado um dos primeiros programas de processamento de linguagem natural. O programa foi projetado para simular uma conversa terapêutica com um psicólogo, fazendo perguntas e oferecendo respostas baseadas em padrões de linguagem predefinidos. O programa ELIZA foi escrito em linguagem de programação LISP e foi um marco na história da inteligência artificial e do processamento de linguagem natural. O programa ELIZA foi portado para várias plataformas de computador, incluindo a plataforma TRS-80. 

Joseph Weizenbaum o pai de Eliza - Imagem da internet

Interface do software Eliza

A versão do Eliza, também conhecida como Talking Eliza, foi uma implementação falante do famoso programa de inteligência artificial para os computadores da série TRS-80 Model I e Model III, lançada pela Radio Shack em 1979.

Uma característica inovadora desse programa era sua capacidade de gerar respostas audíveis por meio do sintetizador de voz TRS-80 da Radio Shack, o que justificava o nome Talking Eliza.

Sim, já em 1979 era possível interagir com um computador e receber respostas por meio de síntese de voz. Chegue a "bricar" com Eliza em um CP-500 da Prologica, na década de 80.

 
Voce pode experimentar Eliza em uma versão em Basic, aqui ( clique na imagem e aquarde carregar):




O Eliza na telinha.

No episódio 12 da 1ª temporada da série  "O jovem Sheldon", intitulado "Um computador, um pôney de plastico e uma caixa de cerveja", Sheldon interage com o software Talk Eliza em seu computador. Ele o utiliza  para simular conversas e aprimorar suas habilidades sociais.

A série,  que se passa entre os anos 90  e conta a história da infância e adolescência de Sheldon Cooper, mostrando como ele lida com a sua inteligência avançada, com a dificuldade em compreender as nuances sociais e com as relações familiares.  

 Esta série está disponível, atualmente, na Netflix.



Eliza na telinha - Netflix


Aparição de Elon Musk em O Jovem Sheldon

Elon Musk faz uma participação especial na série O Jovem Sheldon (Young Sheldon) no episódio 6 da primeira temporada, intitulado "SUma etiqueta, um modem e uma úlcera". 

No episódio, Sheldon Cooper, ainda criança, escreve suas anotações e cálculos em um caderno sobre teorias científicas. Anos depois, o caderno acaba sendo encontrado por ninguém menos que Elon Musk, que aparece lendo as ideias de Sheldon enquanto está em um escritório da SpaceX. 



https://youtu.be/6jAlPQau5Hc



Eliza foi portado para várias plataformas de computadores e pode ser baixado para os computadores baseados em TRS-80 aqui: 

https://willus.com/trs80/




28 janeiro 2025

ALÉM DA ELETRÔNICA, UMA PAIXÃO NO INÍCIO DOS ANOS 70: O AUTORAMA!

 

Hoje, 28/01/2025, precisei ir até Santos – SP, cidade onde minha família viveu durante 12 anos. Com receio das pancadas de chuva, cheguei muito adiantado ao meu compromisso e resolvi dar uma longa "volta" pelo bairro do Gonzaga, onde vivemos nas décadas de 1960 e 1970. Este lugar sempre me traz muitas lembranças boas, e nunca se esgotam as possibilidades de reviver uma infância repleta de histórias para contar.

Ao passar pela Avenida Marechal Floriano Peixoto, ao lado do Shopping Miramar, deparei-me com a loja de brinquedos "Xicko’s", cujo nome imediatamente despertou minhas memórias. Não me contive, entrei para dar uma olhada e perguntei a uma funcionária, que me pareceu ser a gerente, se aquela loja tinha alguma relação com a loja do "Seu Chico dos autoramas", que eu frequentava na década de 1970.


Xicko’s na Avenida Marechal Floriano Peixoto

A funcionária, cujo nome, por distração, não perguntei, confirmou que sim. Explicou-me que a loja pertencia à mesma família que criou a Hobbies Modelo, um estabelecimento que eu costumava frequentar na infância. Ela informou que, no mesmo local onde funcionava a Hobbies Modelo, na Rua Azevedo Sodré, atualmente encontra-se a matriz da Xicko’s Brinquedos, embora agora voltada para um público mais amplo e não mais especializada em modelismo e autoramas.

É claro que eu não poderia perder a oportunidade de visitar o local original da Hobbies Modelo, situado na Rua Azevedo Sodré, quase na esquina com o Canal 3.

 

Xicko’s Brinquedos, na Rua Azevedo Sodré, hoje
 
O interior da loja, na Rua Azevedo Sodré


Uma breve história da Hobbyes Modelos e da Xicko’s Brinquedos

Em Santos, litoral de São Paulo, há histórias que transcendem gerações e permanecem vivas na memória coletiva. Uma dessas histórias é a da Hobbies Modelo, que mais tarde se tornaria a icônica Xicko’s Brinquedos. Mais do que um simples ponto comercial, foi um espaço de sonhos e de conexão entre pais, filhos e entusiastas do universo lúdico.

A Hobbies Modelo surgiu como uma loja especializada em miniaturas, maquetes e brinquedos diferenciados. Seu espaço ocupava um imóvel onde, desde 1930, funcionava um empório criado pelo comerciante Nemesio Barros e sua esposa, Lucinda Rocha, na esquina das ruas Azevedo Sodré e Jorge Tibiriçá.




Na década de 1950, o casal Barros já tinha uma filha, Rosália, que se casou com o jovem Fernando Menezes Barbosa. Após o falecimento do patriarca da família, o casal decidiu assumir o empório, mas optou por mudar o ramo do negócio, deixando para trás os produtos de "secos e molhados" para ingressar em um novo segmento. Fernando explorou diversas alternativas até perceber que sua paixão pessoal pelo modelismo, especialmente trens elétricos, poderia se tornar um negócio promissor e, de fato, tornou-se.

No final da década de 1950, o casal resolveu trazer dos Estados Unidos o Autorama, um tipo de modelismo que já era febre entre os americanos. A pista montada na loja da Azevedo Sodré, em Santos, foi uma das primeiras do Brasil, uma vez que o brinquedo só passou a ser comercializado em larga escala a partir de 1963 pela Mobral Modelismo, de São Paulo. No ano seguinte, a Estrela passou a fabricá-lo no Brasil sob licença da Gilbert, empresa que produzia pistas e carrinhos nos EUA.

A Hobbyes rapidamente se tornou referência em Santos para os entusiastas do Autorama, uma paixão que dominaria a década de 1970 impulsionada pelos campeonatos de Formula 1 e pelas conquistas de Emerson Fittipaldi. As pistas eletrificadas, os carrinhos detalhados e a possibilidade de personalização faziam do Autorama mais do que um simples brinquedo, era uma experiência que unia técnica, habilidade e diversão. A loja não apenas vendia produtos, mas também promovia encontros e competições que transformavam um passatempo em um verdadeiro evento comunitário.

Essa paixão se traduzia nas longas filas que se formavam logo nas primeiras horas da manhã, compostas por meninos carregando suas maletas cheias de carrinhos, peças e ferramentas para uso na pista, todos ansiosos para que a Hobbyes Modelos abrisse suas portas.


Hobbies Modelo na década de 70 - Imagem da internet


Com o passar do tempo, em homenagem ao funcionário Francisco Ferreira, carinhosamente chamado de “Seu Chico”, os proprietários decidiram renomear a loja para Xicko’s Brinquedos. Essa mudança marcou uma nova fase, na qual a loja expandiu seu catálogo para incluir uma grande variedade de produtos, desde bonecas clássicas até os primeiros videogames, acompanhando as transformações do mercado e os desejos das novas gerações.

Francisco Ferreira, conhecido por toda a garotada como “Seu Chico”, era a alma do local. Sempre presente, ele criava laços com os jovens frequentadores, auxiliava nas competições de fim de semana e ainda ajudava nos reparos dos carrinhos. Com seu jeito carismático e conhecimento, acabou se tornando a autoridade máxima nas maior atrações da Hobbies Modelo: as imponentes pistas de Autorama.

Com o tempo, as crianças passaram a chamar a loja de “Loja do Seu Chico”, tornando o apelido uma referência natural ao estabelecimento da família Barros Barbosa.  Fernando decidiu homenagear Seu Chico e rebatizou a loja com seu nome. “Ele era como um membro da família, vivia a loja intensamente”, relembra Rosália.


Seu Chico, no balcão técnico da loja - Imagem da Internet


Os zumbidos dos motores, os melhores assoviavam, em miniatura e a disputa acirrada nas curvas das pistas, que chegaram a totalizar três, criavam um ambiente eletrizante e inesquecível. A Hobbies Modelo não era apenas um lugar para comprar brinquedos; era um ponto de encontro onde se compartilhava uma paixão comum e se criavam memórias destinadas a transcender o tempo unindo amigos, pais, filhos e, até netos em uma atividade empolgante horas a fio.

 

Chico, Ricardo, Rosália e Fernando - Imagem da Internet


Eu e a loja do Seu Chico

Nem me lembro exatamente como conheci a loja, mas certamente foi por meio de algum amigo da escola. No início, eu ia até lá apenas para olhar e sonhar com o dia em que pudesse apertar aqueles gatilhos e controlar os carrinhos nas pistas.

A pista Grande da Hobbies Modelo . Imagem da internet


Um dia, graças aos inúmeros “rolos” que fazia trocando peças de bicicletas e outros brinquedos, muitos vindos de ferros-velhos, consegui um motor de autorama da marca Estrela. Era um motor bem fraquinho, o chamavam de "Estrelinha",  daqueles que vinham nos autoramas comercializados pela marca.


Motor Estrelinha - Imagem da Internet


Com apenas um motor, claro, não havia muito o que fazer. Então, com criatividade e paciência, usei a carroceria de carrinho de plástico comum, alguns pedaços de lata de óleo para contruir o chassi, eixos e outros componentes que comprei usados, para construir meu primeiro carrinho de autorama. Era bem rústico: o controlador era apenas um pedaço de fio que eu plugava na pista, encostando um no outro para fazer o carrinho andar. Ele ia devagar, mas andava. Por ser tão simples, eu nem ousava mostrar meu carro ou o controlador e usava apenas a menor pista, num cantinho da loja que não era muito frequentada.

Aos poucos, com o dinheiro das mesadas e as trocas que fazia, fui aperfeiçoando meu carrinho. Consegui comprar um controlador de verdade e finalmente subi de nível: passei a usar a pista média, a minha favorita. Ainda assim, meu motor não chegava nem perto do desempenho dos importados. Foi então que decidi melhorar o “induzido” do motor, tentando reenrolá-lo. Esse tipo de motor modificado era conhecido como “motor enrolado”.


Um carrinho Lola, idêntico ao primeiro que montei - Imagem da Internet


Observando os diversos motores que passavam pelas mãos do Seu Chico – sempre requisitado no balcão técnico da loja, resolvi tentar enrolar meu motor por conta própria. Muitos modelistas já faziam esse trabalho profissionalmente, mas pagar pelo serviço estava fora do meu alcance. Minha única opção era aprender a faze-lo sozinho. Passei vários finais de semana enrolando e desenrolando o motor com fios novos, num processo de tentativa e erro.

A cada modificação, precisava testar o resultado na pista, o que me fazia ir e voltar inúmeras vezes entre minha casa e a Hobbies Modelo.

Com o tempo, fui aprendendo e, no final, meu carrinho se tornou bastante competitivo. Ele começou a chamar atenção e até me rendeu algum dinheiro com serviços de melhoria nos motores de outros modelistas.

Cheguei a montar meu próprio chassi, já em latão e a carroceria original da Estrela passou a ser uma carroceria leve e flexível chamada de bolha.


Um típico chassi de latão, construído artezanalmente, da época - Imgem da Internet


Carroceria bolha da época, muito leve e flexível - Imagem da Internet


Um motor importado da marca MURA modelo Green, Muito cobiçado na época. - Imagem da Internet.


Um carrinho Lola, mas com carroceira bolha, chassi de latão e o famoso motor MURA Green - Imagem da internet

O mesmo conjunto anterior restaurado -
Imagem da internet

Chassi da década de 70 restaurado - Imagem da internet


O Induzido de um motor, devidamente "enrolado" - Imagem da Internet


O Controlador, do mais simples, passando pelo eletronico de 1981 e os atuais

Meu controlador, da época, era um modelo básico da Estrela, como o da foto. Na época já haviam controladores DIY feitos em acrílico e resistências especialmente escolhidas para maior desempenho.

Controlador da marca Estrela - Imagem da internet


Controlador DIY mais robusto - Imagem da Internet


Em 1981, quando trabalhava no laboratório da revista Nova Eletronica, publiquei um circuito simples para um controlador eletrônico.







Hoje os controladores são totalmente eletrônicos, computadorizados e programáveis, promovendo o máximo desempenho para os motores modernos.


Controlador moderno programável - Imagem da Internet


O Autorama de ontem e de ontem e hoje na mídia


Reportagem da TV Tribuna sobre os veteranos do hobby.



Depois de muito tempo, terminei trocando o carrinho, e acessórios, por uma bicicleta. Mas isso é outra velha  história.


Fontes:     Atribuna - Santos

                Site Memória Santista.