segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

HISTÓRIAS DA PROLÓGICA



O PROLÓGICA CP500 M80 E M80C

CP500 M80

Minha primeira atividade na engenharia da Prológica foi ler e entender o manual técnico do Tandy TRS80, de onde veio o CP500. Foram algumas semanas devorando o manual e tirando dúvidas de funcionamento com o Fabio Trevisan, técnico que já trabalhava na engenharia e dominava o CP500.

Nesta época estava para ser lançado o CP500 M80, com vídeo de 80 colunas e possibilidade de rodar CPM. O Fabio foi o encarregado da lógica do vídeo de 80 colunas e a solução necessitava que o gerador de caracteres fosse modificado para caber no número de linhas e colunas o do hardware de vídeo original do CP500, para isso foi necessário refazer o gerador de caracteres o que resultou em caracteres com formato pouco convencional. O Projeto já estava pronto, com placa desenhada e fabricada, pronto para ser lançado, mas a aparência do vídeo não agradou a equipe de marketing da Prologica com o risco do projeto ser de ser descartado.

Não não havia mais tempo para desenvolver um novo circuito inteiro e confeccionar novas placas de circuito impresso, pedi para analisar o problema, junto com o Fabio, para tentar alguma outra solução. O Sr. Cláudio Porto, nosso supervisor, me deu carta branca para analisar e tentar alguma solução.  Comecei a análise do circuito de vídeo do CP500, para adaptá-lo a 80 colunas e 40 linhas, e utilizar o gerador de caracteres do Sistema 700.

Em alguns dias consegui modificar, minimamente, o circuito de vídeo do CP500 para gerar um vídeo de 40 linhas, com 80 colunas, usando um gerador de caracteres híbrido com o set de caracteres do CP500 e do Sistema 700. Isso culminou com a adição de uma pequena placa, a AX 23, com uns três ou quatro componentes que, acoplada a placa original, desenvolvida pelo Fabio, tornava a aparência do vídeo em CPM idêntico ao do Sistema 700. Nesta primeira versão, usei um PLL discreto para gerar o clock do vídeo de 80 colunas, posteriormente foi modificada para usar um cristal. 

Finalmente o marketing aprovou e o CP500 M80 foi lançado.

Esquema original da primeira AX23 e minhas anotações.

A esta altura os chips customizados, que fariam parte do CP500 M80 C (compacto), já estavam sendo desenvolvidos e havia um novo problema.

Nós desenvolvemos o circuito dos chips e o projeto foi enviado para San Jose, na Califórnia - EUA, onde um fabricante do chip os produziria. Neste processo, antes da fabricação do primeiro protótipo, nos era retornado uma listagem com um mapa lógico onde reproduzia todos os testes com a nova pastilha com estados lógicos de entradas e saídas e uma resolução de 5ns (cinco nano segundos), isso gerava uma listagem enorme de centenas de folhas de formulário de 132 colunas que precisava ser verificado, linha a linha. Foram inúmeras semanas de análise para aprovar o chip e, devido à nova alteração do circuito, tudo teria que ser refeito e o trabalho, já feito, perdido. Foi daí que tive a ideia de além de refazer o circuito original para o novo vídeo, também gerar uma combinação de sinais de entrada no chip, que nunca aconteceria na aplicação definitiva, isso gerava uma condição para gerar os vetores de teste para o circuito adicionado que não alteravam os vetores para o circuito original, já testado, necessitando apenas de algumas folhas a mais de vetores a ser analisado para o novo circuito de vídeo. Depois de tudo revisado, e algumas semanas depois, chegou o primeiro protótipo do chip com uma apreensão enorme da equipe o chip foi testado e no final funcionou perfeitamente. Ufa!

Fabio Trevisan foi uma das primeiras pessoas que interagi tecnicamente na Prologica e o considero, até hoje, uma enciclopédia ambulante. Logo nos tornamos grandes amigos, com uma amizade que perdura até hoje.





O TECLADO CAPACITIVO

Em um determinado momento surgiu a necessidade de um novo projeto para os teclados usados nos computadores profissionais da Prológica.

Eu e Antonio Luiz Navas, engenheiro, fomos designados para desenvolver uma solução cujas  premissas eram:

1) Baixo custo;
2) Vida longa e baixa manutenção;
3) Teclas suaves ao toque;

Depois de várias "elocubrações" decidimos experimentar uma abordagem mais eletrônica do que mecânica para o acionamento das teclas e desta forma decidimos dar continuidade ao projeto utilizando a tecnologia de teclas capacitivas.

Nesta época "baixou" na engenharia um disco do simulador de circuitos eletrônicos PSpice, produto da OrCAD. Era uma versão de estreia que havia sido lançada em janeiro de 1984 e, claro, não fornecia nenhuma saída gráfica e tão somente uma listagem contendo os estados de entradas e saídas da simulação. Decidi usa-lo no desenvolvimento do teclado e a primeira providência foi tentar fazer uma cópia de backup do diskette. 

O software, apesar de ser copiável, não rodava no diskette de cópia, somente o original funcionava. Então começamos a tarefa de descobrir o porque não funcionava e verificamos que o disco tinha dois furos, um a mais além do furo de index. 

O programa tentava ler o setor em que estava o furo e, caso, conseguisse identificava como um disco de cópia e não permitia o funcionamento. A solução foi mapear no disco a posição exata deste furo e, no disco de cópia, usar um estilete e remover a camada de oxido na exata posição. Desta forma o diskette de cópia também apresentava o mesmo erro, no mesmo setor, e isso "enganava" o teste de originalidade do disco.

Desenhei o circuito básico das teclas e com o PSpice pude simular o comportamento e desenvolver o circuito definitivo.

As teclas usavam uma mola, uma espuma, e em uma face desta espuma havia uma folha de alumínio que ao se aproximar da placa de circuito impresso, permitia que o sinal de varredura da tecla passasse de um lado a outro, entre duas trilhas, pelo efeito capacitivo.

Houve, a necessidade de um artifício para dar um feedback ao usuário, pois não mais havia a sensação tátil e nem auditiva ao teclar. A solução foi acionar um pequeno relê para promover um retorno auditivo a cada vez que se pressionasse uma tecla.

Antonio adaptou o software do teclado para a tecnologia capacitiva e eu projetei o hardware e o layout da placa.

Os teclados capacitivos foram adotados para os computadores SP16, Solution 16 e CP500.


Esquema do teclado capacitivo usado no SP16






A INTERFACE PARA VIDEO COLORIDO "BARATO" PARA O SOLUTION 16


Alguns exemplares do Solution 16, as mais atuais, possuem o recurso de enviarem o vídeo colorido para um monitor de vídeo composto, TV ou projetor coloridos. Projetamos uma interface para converter o sinal RGBHV do conector VGA para sinal de vídeo composto. Embora a solução foi clássica, ao utilizar um CI MC1377, houve a necessidade de se usar o clock interno da controladora de vídeo e não um cristal separado para o MC1377. O uso de um cristal separado deixava a tela com muito ruído, originário do batimento entre o clock interno e o externo. Foi necessário levar o clock interno para o conversor, através no mesmo conector VGA. A solução levou, além do clock, também a alimentação para o conversor.

Note que o clock do circuito saí do Solution 16, através da modulação da alimentação,  e separada nesta placa do conversor. Isso era necessário para que não houvesse distorções nas cores e batimento, por conta de clocks separados. Sinais de vídeo RGB H V e alimentação 12V saíam do Solution 16 no mesmo conector VGA DB9. 

Para aqueles que tenham Solution 16 e pretendem conecta-lo a um monitor VGA, cuidado, pois alguns modelos tem na saída VGA, também,12Vcc em um dos pinos.

Meu manuscrito do projeto da interface, na época  do projeto




ALÉM DOS MUROS DA PROLÓGICA

A equipe da engenharia era muito unida e as atividades em grupo iam além dos domínios da Prológica.



Eu e Jederson, engenheiro da Prológica, no batismo do curso de mergulho em Angra


Eu e Pedro, engenheiro da Prológica, em explorações de cavernas no PETAR


Eu e Jederson, engenheiro, em explorações de cavernas no PETAR


Patrício, supervisor de desenhos, Pedro e eu (de capacete) quando quebrei a asa no curso.


Eu e Fabio Trevisan, técnico da engenharia da Prológica, em um encontro recente.

Eliana Demasi Garcia (foto recente)
Companheira do setor de desenho (esquemas e layouts de PCIs) da Prológica. 
Aprendi muito com ela. Amizade de muitos anos!

Perpetuando as origens



































 





Um comentário:

  1. Everaldo por favor, voce pode atualizar os links dos arquivos no artigo sobre a SuperProbe (01/2015)

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