sábado, 8 de maio de 2021

MINHA HISTÓRIA COM A INTERNET


Em 1997, logo após os primeiros portais de internet se estabelecerem no Brasil, fui indicado pelo amigo José  Roberto de Oliveira Prado para implementar uma plataforma de BBS (Bulletin board system) para  World Access Communications do Brasil (WAC), uma empresa que atuava no mercado de ligações internacionais pelo processo de Call Back.

Na primeira entrevista, com a diretoria, propus apresentar um projeto para implementação de um provedor de acesso a internet e que desistissem da ideia de BBS, pois a Internet rapidamente tornaria a BBS obsoleta. Minha proposta foi de apresentar um Business Plan para o serviço e que estaria pronto em uma semana. O que eu sabia sobre internet era o básico, que todos os primeiros usuários sabiam, e os meios de pesquisa, na própria internet (discada) eram precários e lentos. Por insistência, nas poucas horas da noite em que tinha a linha telefônica livre para acessar a internet com velocidade máxima de 9.600bps ( eu ainda não tinha modem de 14.400bps), consegui achar um documento da EMBRATEL, que tratava da construção de  provedores de internet.  Após algumas noites de trabalho elaborei um documento, visando os aspectos técnicos, práticos e financeiros, para a montagem de um provedor de acesso e conteúdo. 

Após apresentar o projeto a diretoria da WAC fui contratado imediatamente, com o aceite de todos os requisitos técnicos e financeiros para a implementação do projeto. Confesso que o frio bateu na espinha pois eu nem tinha domínio sobre redes IP, tramites para contratação de infraestrutura de telefonia, de links para internet, servidores, etc. Claro, tudo isso teria que ser aprendido rapidamente e as próximas semanas seriam de pesquisa intensa sobre a tecnologia, equipamentos, modelo de negócio e etc.

Após as pesquisas, iniciaram as etapas práticas de preparação do local para o provedor, contratação de linhas telefônicas, link(s) de internet, inicialmente um link de 64Kbps com a Embratel, treinamento da equipe de vendas, contratação de técnicos, compra de equipamentos, preparação de manuais, material publicitário e outros detalhes.

Finamente, ainda com poucos recursos, o provedor foi inaugurado e contava com  32 linhas telefônicas providas de modens Total Control da US Robotics, um link de 64Kbps para a internet, um Roteador CISCO, um computador Pentium 133 rodando Windows NT, para autenticação de clientes, hospedagem da página da empresa e e-mails de clientes.


O início do provedor WAC

O provedor foi evoluindo, assim como a plataforma de clientes, e serviços disponíveis. No momento de meu desligamento a WAC contava com aproximadamente com cinco mil clientes, muitos deles corporativos  e 30 franquiados em todo o Brasil conectados à matriz através de linhas privadas de dados. A infraestrutura já contava com link de internet de 2 Mbps, Linhas telefônicas digitais, através de modens ADSL, e um link de 256Kbps em fibra ótica com a filial World Telecom em Miami, este destinado exclusivamente a telefonia internacional via VoIP (Voice over Internet Protocol) e Frame Relay.

Em termos de equipamento possuíamos modens digitais de 56Kbps, links em fibra ótica, switchs frame relay, Servidor SUN, PABX NORTEL, roteadores com maior capacidade de tráfego, inclusive entre clientes e a matriz, dentre outros.

Desenvolvemos alguns equipamentos para a integração dos serviços de telefonia internacional, tornando o  acesso do cliente inteiramente automático e transparente, cartões para telefonia internacional, usados em viagens, unidades de resposta audível, totens de internet pré-paga, dentre outros.

O serviço evoluindo, assim como os equipamentos


A evolução do CPD


Switch Frame Relay Nortel

Frame Relay Access Device Micom, da Nortel, usados para comunicação de voz 

Servidor SUN


Reportagem da revista Veja, sobre os serviços de telefonia internacional


Exposição em feiras de franquias




Totem de acesso a internet (pré-pago)


Nosso lado de Miami. Switchs telefônicos da Siemens.


Assistindo a partida Vasco x DC United em Fort Lauderdale (EUA). Fornecemos o link para a transmissão da partida para rádios no Brasil.






Continua...














segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

HISTÓRIAS DA PROLÓGICA



O PROLÓGICA CP500 M80 E M80C

CP500 M80

Minha primeira atividade na engenharia da Prológica foi ler e entender o manual técnico do Tandy TRS80, de onde veio o CP500. Foram algumas semanas devorando o manual e tirando dúvidas de funcionamento com o Fabio Trevisan, técnico que já trabalhava na engenharia e dominava o CP500.

Nesta época estava para ser lançado o CP500 M80, com vídeo de 80 colunas e possibilidade de rodar CPM. O Fabio foi o encarregado da lógica do vídeo de 80 colunas e a solução necessitava que o gerador de caracteres fosse modificado para caber no número de linhas e colunas o do hardware de vídeo original do CP500, para isso foi necessário refazer o gerador de caracteres o que resultou em caracteres com formato pouco convencional. O Projeto já estava pronto, com placa desenhada e fabricada, pronto para ser lançado, mas a aparência do vídeo não agradou a equipe de marketing da Prologica com o risco do projeto ser de ser descartado.

Não não havia mais tempo para desenvolver um novo circuito inteiro e confeccionar novas placas de circuito impresso, pedi para analisar o problema, junto com o Fabio, para tentar alguma outra solução. O Sr. Cláudio Porto, nosso supervisor, me deu carta branca para analisar e tentar alguma solução.  Comecei a análise do circuito de vídeo do CP500, para adaptá-lo a 80 colunas e 40 linhas, e utilizar o gerador de caracteres do Sistema 700.

Em alguns dias consegui modificar, minimamente, o circuito de vídeo do CP500 para gerar um vídeo de 40 linhas, com 80 colunas, usando um gerador de caracteres híbrido com o set de caracteres do CP500 e do Sistema 700. Isso culminou com a adição de uma pequena placa, a AX 23, com uns três ou quatro componentes que, acoplada a placa original, desenvolvida pelo Fabio, tornava a aparência do vídeo em CPM idêntico ao do Sistema 700. Nesta primeira versão, usei um PLL discreto para gerar o clock do vídeo de 80 colunas, posteriormente foi modificada para usar um cristal. 

Finalmente o marketing aprovou e o CP500 M80 foi lançado.

Esquema original da primeira AX23 e minhas anotações.

A esta altura os chips customizados, que fariam parte do CP500 M80 C (compacto), já estavam sendo desenvolvidos e havia um novo problema.

Nós desenvolvemos o circuito dos chips e o projeto foi enviado para San Jose, na Califórnia - EUA, onde um fabricante do chip os produziria. Neste processo, antes da fabricação do primeiro protótipo, nos era retornado uma listagem com um mapa lógico onde reproduzia todos os testes com a nova pastilha com estados lógicos de entradas e saídas e uma resolução de 5ns (cinco nano segundos), isso gerava uma listagem enorme de centenas de folhas de formulário de 132 colunas que precisava ser verificado, linha a linha. Foram inúmeras semanas de análise para aprovar o chip e, devido à nova alteração do circuito, tudo teria que ser refeito e o trabalho, já feito, perdido. Foi daí que tive a ideia de além de refazer o circuito original para o novo vídeo, também gerar uma combinação de sinais de entrada no chip, que nunca aconteceria na aplicação definitiva, isso gerava uma condição para gerar os vetores de teste para o circuito adicionado que não alteravam os vetores para o circuito original, já testado, necessitando apenas de algumas folhas a mais de vetores a ser analisado para o novo circuito de vídeo. Depois de tudo revisado, e algumas semanas depois, chegou o primeiro protótipo do chip com uma apreensão enorme da equipe o chip foi testado e no final funcionou perfeitamente. Ufa!

Fabio Trevisan foi uma das primeiras pessoas que interagi tecnicamente na Prologica e o considero, até hoje, uma enciclopédia ambulante. Logo nos tornamos grandes amigos, com uma amizade que perdura até hoje.





O TECLADO CAPACITIVO

Em um determinado momento surgiu a necessidade de um novo projeto para os teclados usados nos computadores profissionais da Prológica.

Eu e Antonio Luiz Navas, engenheiro, fomos designados para desenvolver uma solução cujas  premissas eram:

1) Baixo custo;
2) Vida longa e baixa manutenção;
3) Teclas suaves ao toque;

Depois de várias "elocubrações" decidimos experimentar uma abordagem mais eletrônica do que mecânica para o acionamento das teclas e desta forma decidimos dar continuidade ao projeto utilizando a tecnologia de teclas capacitivas.

Nesta época "baixou" na engenharia um disco do simulador de circuitos eletrônicos PSpice, produto da OrCAD. Era uma versão de estreia que havia sido lançada em janeiro de 1984 e, claro, não fornecia nenhuma saída gráfica e tão somente uma listagem contendo os estados de entradas e saídas da simulação. Decidi usa-lo no desenvolvimento do teclado e a primeira providência foi tentar fazer uma cópia de backup do diskette. 

O software, apesar de ser copiável, não rodava no diskette de cópia, somente o original funcionava. Então começamos a tarefa de descobrir o porque não funcionava e verificamos que o disco tinha dois furos, um a mais além do furo de index. 

O programa tentava ler o setor em que estava o furo e, caso, conseguisse identificava como um disco de cópia e não permitia o funcionamento. A solução foi mapear no disco a posição exata deste furo e, no disco de cópia, usar um estilete e remover a camada de oxido na exata posição. Desta forma o diskette de cópia também apresentava o mesmo erro, no mesmo setor, e isso "enganava" o teste de originalidade do disco.

Desenhei o circuito básico das teclas e com o PSpice pude simular o comportamento e desenvolver o circuito definitivo.

As teclas usavam uma mola, uma espuma, e em uma face desta espuma havia uma folha de alumínio que ao se aproximar da placa de circuito impresso, permitia que o sinal de varredura da tecla passasse de um lado a outro, entre duas trilhas, pelo efeito capacitivo.

Houve, a necessidade de um artifício para dar um feedback ao usuário, pois não mais havia a sensação tátil e nem auditiva ao teclar. A solução foi acionar um pequeno relê para promover um retorno auditivo a cada vez que se pressionasse uma tecla.

Antonio adaptou o software do teclado para a tecnologia capacitiva e eu projetei o hardware e o layout da placa.

Os teclados capacitivos foram adotados para os computadores SP16, Solution 16 e CP500.


Esquema do teclado capacitivo usado no SP16






A INTERFACE PARA VIDEO COLORIDO "BARATO" PARA O SOLUTION 16


Alguns exemplares do Solution 16, as mais atuais, possuem o recurso de enviarem o vídeo colorido para um monitor de vídeo composto, TV ou projetor coloridos. Projetamos uma interface para converter o sinal RGBHV do conector VGA para sinal de vídeo composto. Embora a solução foi clássica, ao utilizar um CI MC1377, houve a necessidade de se usar o clock interno da controladora de vídeo e não um cristal separado para o MC1377. O uso de um cristal separado deixava a tela com muito ruído, originário do batimento entre o clock interno e o externo. Foi necessário levar o clock interno para o conversor, através no mesmo conector VGA. A solução levou, além do clock, também a alimentação para o conversor.

Note que o clock do circuito saí do Solution 16, através da modulação da alimentação,  e separada nesta placa do conversor. Isso era necessário para que não houvesse distorções nas cores e batimento, por conta de clocks separados. Sinais de vídeo RGB H V e alimentação 12V saíam do Solution 16 no mesmo conector VGA DB9. 

Para aqueles que tenham Solution 16 e pretendem conecta-lo a um monitor VGA, cuidado, pois alguns modelos tem na saída VGA, também,12Vcc em um dos pinos.

Meu manuscrito do projeto da interface, na época  do projeto




ALÉM DOS MUROS DA PROLÓGICA

A equipe da engenharia era muito unida e as atividades em grupo iam além dos domínios da Prológica.



Eu e Jederson, engenheiro da Prológica, no batismo do curso de mergulho em Angra


Eu e Pedro, engenheiro da Prológica, em explorações de cavernas no PETAR


Eu e Jederson, engenheiro, em explorações de cavernas no PETAR


Patrício, supervisor de desenhos, Pedro e eu (de capacete) quando quebrei a asa no curso.


Eu e Fabio Trevisan, técnico da Prológica, em um encontro recente.

























 





domingo, 7 de fevereiro de 2021

Automação Industrial

 Projetos e instalação em automação industrial.

Automatizando reator de polímeros em indústria química

Colhendo dados para o projeto do sistema de controle de espessura do filme de lubrificação de cápsulas de remédios.

Sistema para encapsulamento de remédios.

Projeto do sistema sustentável para lavagem de folhas para a SODEXO

Painel de controle do sistema sustentável para lavagem de folhas.


Prêmio SODEXO para o sistema sustentável de lavagem de folhas, usado em restaurantes industriais.


Treinando operador de reator

Atuador eletrônico para válvulas

Simulando sensores com fonte programável

Programando CLP (controlador lógico programável)


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Projetando Simuladores de Voo

No período entre 2014 e 2019 me dediquei a projetos de Simuladores de Voo, usados para treinamento de pilotos comerciais. Foi um período de bastante desafio e trabalho duro.

Abaixo alguns projetos e momentos desta fase.


Simulador FTD do Airbus A320

Simulador AATD do PA34 Sêneca
Simulador do helicóptero AS350 B2 Esquilo

Na montagem e configuração do simulador do Boeing 737NG


Simulador do caça F16

Simulador do caça F16

Simulador do caça F16








Simulador do Boeing 737NG

Instalação do simulador do Boeing 737NG na escola de aviação STS, no Rio de Janeiro


Estudando o Robinson 22

Cabine para o simulador do Robinson 22

Demonstrando os princípios de sustentação da asa

Voando com simulador do Airbus A320

Voando com simulador do Simulador do helicóptero AS350 B2 Esquilo

Desenvolvendo plataforma de motion para simulador



Fogo nas turbinas e procedimentos de emergência no simulador do Airbus A320.
Situação de stress, mesmo sendo uma simulação.

Testando o pedestal do simulador do Boeing 737NG

Na Imprensa

Reportagem da Rede Record, usando o simulador do Airbus A320, explica o acidente em 24 de março de 2015 em que a aeronave caiu a cem quilômetros de Nice, nos Alpes Franceses.

sábado, 2 de novembro de 2019

ALIEN no Pote

Recentemente em uma viagem ao Balneário Camboriú, em Santa Catarina, ví um artesão vendendo uma cabeça de ET num vidro de maionese. Parecia um modelo feito com impressão laser ou resina e isso me inspirou em fazer meu próprio Alien no pote.

Vasculhando a internet, achei este site com um excelente trabalho de Philipe Kling David feito em resina, o qual usei como inspiração para modelar o meu.

http://www.mundogump.com.br/feto-alien-nYo-tubo/

Resolvi experimentar a modelagem em massa de Biscuit ou massa FIMO, esta última muito mais cara que o Biscuit. A massa FIMO tem a vantagem de ficar impermeável e sua secagem é em forno, podendo ser caseiro, mas o preço é três ou quatro vezes o preço da massa de Biscuit.

Antes de começar a moldagem, procurei um pote que pudesse acomodar o Alien após a conclusão. Vasculhando em lojas de departamentos achei este pote usado para guardar mantimentos, cujas medidas estavam de acordo com o que eu pretendia. A escala do modelo, então, levou em consideração as medidas deste pote, ficando com aproximadamente 17 centímetros de comprimento.


Pote de mantimentos

Comecei a modelagem em massa de Biscuit, depois de assistir a alguns vídeos na internet, pois não tenha nenhuma experiência anterior em moldagem com massa,  e em pouco mais de uma hora já tinha o modelo pronto.


O crânio com papel alumínio


A moldagem inicial da cabeça


O rosto sofrido


Resolvi colocar canais auditivos


Esqueleto de arame


Moldagem do corpo em papel alumínio


O corpo, quase acabado


Experimentando dentro do pote


Depois do modelo pronto, o desafio seria impermeabilizar-lo, pois ficaria imerso em algum líquido para dar a aparência de um espécime conservado em formol. A melhor opção, cuja eficácia só o tempo dirá, foi aplicar várias demãos de verniz PU automotivo. O verniz PU automotivo é uma resina cuja cura é feita pela reação com um catalizador sendo muito resistente as intempéries e, claro, resistente a líquidos.

O modelo acabado

A etiqueta do pote foi feita com impressão laser em papel sulfite comum. O aspecto de envelhecimento fiz com borra de café.


Etiqueta de identificação feita com impressão laser

Para o líquido, que imitaria formol, decidi usar água desmineralizada que tingi com chá para dar um aspecto de envelhecimento. O resultado ficou bastante bizarro e convincente.


Pronto para ser exposto






Agora ele repousa na estante junto com outros companheiros.